A violência nas BRs que cortam Minas Gerais é responsável, anualmente, por mais de 1 mil mortes. O efeito da selvageria poderia ser sensivelmente minimizado com ações preventivas em poucos pontos. Levantamento do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) mostra que 45,09% dos acidentes estão concentrados em apenas 6,32% da extensão das rodovias federais do estado. O estudo, baseado nas estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), identificou cada quilômetro como sendo um ponto específico e o resultado aponta que, dos 20.492 acidentes anotados no estado, 9.240 ocorreram em apenas 474 trechos da malha federal de 7,5 mil quilômetros.

A pesquisa, que não era feita desde meados da década de 1990, separou os trechos com 10 ou mais acidentes. O resultado aponta que, do total de ocorrências nessa parcela da malha, em 3.358 houve feridos e outros 265 registraram mortes – pode haver mais de uma vítima por caso. Três das principais BRs – 040, 381 e 116 – concentram a maior parte dos pontos críticos: 383, se somados.

O mapeamento é a primeira etapa de estudo para diagnosticar os pontos mais críticos e a relação de problemas em cada rodovia federal brasileira. Segundo o coordenador-geral de operações rodoviárias do Dnit, Luiz Cláudio Varejão, o ranking nacional com os 10 primeiros pontos indica a preocupação com trechos urbanos, pois nove deles estão localizados às margens de cidades. “O objetivo é recuperar o atraso e caracterizar a nova realidade do tráfego com o crescimento vertiginoso da frota e a conseqüente confluência de trânsito urbano e rodoviário”, afirma.

Nos próximos meses, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está encarregada de fazer análise de cada ponto isolado para propor quais melhorias podem ser executadas. A partir da análise, será possível o planejamento de intervenções com a finalidade de reduzir a gravidade das ocorrências. “Pode-se aceitar um número alto de acidentes, mas a gravidade tem de ser pequena, pois as ocorrências graves deixam seqüelas”, afirma.

Em seguida ao detalhamento da UFSC, os pontos críticos devem ser reparados com duas formas de soluções: baixo e alto custo. A primeira parcela engloba projetos de revitalização da sinalização e instalação de controladores de velocidade, como lombadas e radares móveis, enquanto em casos mais graves devem ser feitas mudanças estruturais, como a intervenção na geometria do traçado, na infra-estrutura, a construção de viaduto e o alargamento da pista. Segundo Varejão, ocorre um fenômeno paradoxal: “Em rodovias esburacadas, o motorista é obrigado a reduzir e toma cuidados com o carro, enquanto em trechos em boas condições ele se sente seguro para acelerar. O desafio é dar condições de segurança para que o condutor possa rodar a 100km/h sem riscos”.

O coordenador-geral de operações rodoviárias do Dnit acrescenta que a perícia técnica nos acidentes deveria ser obrigatória para ajudar no estudo das motivações, o que pode facilitar as melhorias das normas, e cobra também a inspeção veicular anual. “Não é a busca de culpados, mas uma análise semelhante a uma intervenção cirúrgica”, afirma Varejão.

Nacional

O ranking com os 100 primeiros colocados em número de ocorrências aponta que cinco trechos estão em Minas. Os pontos são responsáveis por parcela significativa dos acidentes e, não por coincidência, estão localizados em perímetros urbanos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A campeã em violência é a BR-381: em apenas quatro quilômetros houve 401 acidentes no ano passado. O km 532 da BR-040, sentido Brasília, perto do Viaduto da Mutuca, é o segundo colocado no ranking do estado, com 97 casos.

Se somados os 26 estados e feita a média geral dos acidentes no país, a concentração é ainda maior. Mais da metade das ocorrências do ano passado foram em apenas 5,5% da malha federal, sendo que nove dos 10 pontos mais críticos estão em áreas urbanas.