As duas caminhonetes e a moto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) de Novo Cabrais, responsável pelo patrulhamento de 402 quilômetros de rodovias no Vale do Rio Pardo, juntam poeira na garagem há pelo menos uma semana. Desde então, quase sem combustível, os veículos só podem ser utilizados em casos de extrema urgência. Racionar gasolina e diesel e fiscalizar em lugar de patrulhar é rotina em outros postos do Estado.

Em Estrela, para patrulhar os 490 quilômetros de sua jurisdição, os policiais abastecem as duas caminhonetes Blazer em Santa Cruz do Sul, no posto conveniado mais próximo. São 180 quilômetros, ida e volta, pelo menos 60 fora da área de atuação do posto.

– Aproveitamos e vamos fazendo o patrulhamento no caminho. A gasolina vem, mas não é o suficiente. Mas nunca deixamos de atender a população – diz um policial.

A situação de Novo Cabrais também não é nova. Em junho, Zero Hora noticiou que o único telefone da unidade havia sido cortado.

– Não podemos sair para atender a todas as ocorrências – revela o comandante do posto, sargento Ilton dos Santos Duarte.

No domingo, a escassez limitou a atuação. Às 15h, um caminhão com leite virou na estrada Sobradinho-Santa Cruz do Sul (RS-400). A Brigada Militar solicitou o apoio da PRE. Não houve atendimento.

– Disseram que estavam sem combustível. Por sorte ninguém morreu – disse um PM.

Substituir o patrulhamento pela fiscalização na área de abrangência – da Barra de Ribeiro ao Chuí – foi a forma do posto de São Lourenço do Sul, na Região Sul, para contornar a crise. Segundo o capitão Devaldir Moura, os deslocamentos estão sendo reduzidos ao máximo.

Em Cruz Alta e Santo Augusto, no Noroeste, a PRE roda graças a doações de postos.

Contraponto – O que diz o tenente coronel Reuvaldo Vasconcellos, comandante do Batalhão de Polícia Rodoviária do Estado: Há vários lugares onde há dificuldades no Estado, e isso é público. Não digo que não tenho dificuldades. Como administrador, tenho de resolver esses problemas, e é o que eu estou fazendo. Pode acontecer que em algum lugar, em um ou outro ponto das nossas posições, se deva restringir o deslocamento, não para o atendimento de acidentes, mas para o patrulhamento de rotina que costumamos fazer. Para o atendimento de ocorrências não há falta de combustível. Claro que temos de racionalizar a utilização do recurso. Mesmo assim, vou verificar o que mudou nas reservas. Pode caber uma intervenção no sentido de corrigir alguma dificuldade. Até agora não fui avisado de nada.

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