Apesar da rigidez do Código de Trânsito, muitos motoristas gaúchos continuam cometendo a imprudência.

Canoas – Há 10 anos o Código Brasileiro de Trânsito mudou e tornou-se uma ferramenta importante no controle da violência nas vias urbanas, estradas estaduais e federais. Instituindo um sistema de pontos de acordo com a gravidade da infração e aplicação de pesadas multas, o endurecimento na legislação alcançou o banco traseiro e a obrigatoriedade do cinto de segurança passou a ser, assim como para os passageiros da frente, também para os de trás.

Para dimensionar o descuido, a estatística oficial dá conta de que mais de 39 mil motoristas foram multados pela ausência do equipamento entre as rodovias federais e estaduais em 2008. Em Canoas, segundo dados do Departamento Municipal de Trânsito, chegaram a quase seis mil. Todos os números são referentes aos meses de janeiro a novembro – dezembro ainda não foi computado na sua totalidade.

PENALIDADES – Para quem esquece ou simplesmente se nega a obedecer, o código classifica como penalidade grave, rendendo multa e a perda de cinco pontos na carteira de motorista. No caso de crianças sem o cinto ou sem os equipamentos corretos, torna-se gravíssima e soma sete pontos, além da multa mais cara.

Mas o prejuízo no bolso não parece intimidar por completo quem ainda resiste ao uso, como o caso do motorista profissional José Rodrigues, 58 anos. “Não gosto de ficar atado. Prefiro morrer solto do que amarrado se for o caso.”

Em contraste, o pintor de veículos Pedro José Gomes, 65, não consegue ligar o carro sem ajeitar o cinto de segurança, pois virou um hábito. “Fecho a porta do carro e imediatamente pego o cinto. Me sinto até mal se não faço isso”, revela Pedro, que para percorrer uma distância de menos de 50 metros dentro de um posto de combustíveis fez uso do equipamento.

Para os jovens a questão é também preocupante, pois mesmo com as campanhas de alerta realizadas, muitos resistem, como o contabilista Vinícius Hoffmann, de 20 anos. “Em viagem eu utilizo, mas no dia-a-dia, esqueço”.

Banco de trás e passageiro da frente
Não somente as multas deveriam pesar na decisão de colocar ou não o cinto. Para o médico Osvaldo André Serafini, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, o uso do cinto de segurança é lei não à toa, pois a obrigatoriedade surgiu como forma de estancar as mortes nas estradas.

Segundo o ortopedista, o cálculo conhecido no País é de que uma pessoa com cinto de segurança no banco da frente tem cinco vezes mais chance de morrer em caso de acidente onde o passageiro de trás estiver sem o equipamento de segurança. “Há o registro de que em 80% dos casos de acidente com morte do passageiro da frente deram-se em função do impacto do passageiro de trás sem o cinto. Vê-se a importância, então, de todos usarem”, aconselhou.

O médico ainda destacou a importância dos cuidados com os pequenos. “Crianças sempre no banco de trás. Nunca bebê no colo, somente nas cadeiras especiais para cada idade”, alertou. Depois dos seis anos, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia recomenda que crianças devem usar o cinto de segurança e continuar no banco traseiro.