Cerca de 300 famílias moradoras de assentamentos dos municípios de Jaguaribara e Jaguaretama estão acampadas, desde as primeiras horas de ontem, na BR-116, na localidade Sossego dos Contendas, entre a antiga e a nova Jaguaribara. Elas interditaram a rodovia algumas vezes durante o dia para chamar a atenção das autoridades.

As famílias reivindicam a execução dos projetos de irrigação e de construção de casas e estradas nos assentamentos construídos para receber os atingidos pela construção da barragem do Castanhão nos dois municípios. A mobilização foi organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

De acordo com a coordenadora da Comissão da Pastoral da Terra (CPT), da diocese de Limoeiro do Norte, Diana Lúcia Vieira dos Santos, as famílias dos assentamentos estão enfrentando sérios problemas, principalmente as que tiveram que deixar a área da barragem às pressas. ‘‘Estas pessoas foram tiradas do local a toque de caixa e jogadas nas áreas destinadas aos assentamentos’’, disse Diana. Ela revela que os manifestantes estão dispostos a permanecerem acampados na rodovia até que o Dnocs e o Governo do Estado sinalizem com uma solução.

Conforme Diana Lúcia, nenhum dos projetos prometidos foi executado. “No assentamento Alagamar, por exemplo, não houve nem mesmo a construção das casas. As 120 famílias estão em casas de madeira. Já no Curupati Peixe não existe água potável para consumo humano”. A comunidade denuncia a inexistência de saneamento básico e que o esgotamento sanitário ocorre diretamente no Castanhão. “As famílias reclamam que estão consumindo água da barragem sem tratamento” ressalta Diana.

No último dia 27 de fevereiro, o governador Lúcio Alcântara, presente à primeira sangria do Castanhão, prometeu que os projetos de Curupati e Alagamar estariam produzindo até o mês de julho, e o Mandacaru, somente no final de novembro. Neste momento, o Governo do Estado estaria tentando levar agroindústrias para a região do Castanhão.

Ontem, a determinação do movimento era não fechar a BR-116 de forma contínua, mas interditar em intervalos curtos ao longo do dia. Muitas crianças e mulheres fazem parte do acampamento. “Eles estão dispostos e preparados a permanecerem no local pelo tempo que for preciso para resolver o problema”, acrescenta a coordenadora da CPT.

DNOCS – Através de sua Assessoria de Comunicação, o diretor-geral do Dnocs, Eudoro Santana, disse que os pedidos das famílias acampadas já foram encaminhados ao Ministério da Integração. Ele ressaltou que o Dnocs tem consciência que essas obras têm que ser realizadas urgentemente, mas que é preciso paciência pois existe todo um processo para que isso aconteça.

Quanto ao fato de as famílias estarem em casas de madeira, Eudoro destacou que a situação é provisória, pois a perspectiva é de que as casas de alvenarias sejam construídas em regime de mutirão logo que se tenham os recursos.

O diretor-geral disse considerar natural esse protesto das famílias, mas que os encaminhamentos necessários já foram feitos e é preciso aguardar que os recursos sejam liberados.

Ele lembrou que a construção do Castanhão começou em 1995 e agora que as coisas estão acontecendo. Ele destacou que já houve avanço na área social, com a questão da titulação das terras, e com a conclusão da variante da BR, o que permitiu o maior acúmulo de água pelo Castanhão. Eudoro Santana disse ainda estar aberto ao diálogo e se dispôs a tentar um entendimento com o movimento.

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