O novo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, toma posse hoje. Ele vai ficar quatro anos à frente do órgão e poderá ser reconduzido por outros quatro.

Também passará a integrar a diretoria da agência Mário Rodrigues Júnior. Com isso, as cinco vagas da diretoria passam a ser preenchidas. A ANTT vinha operando com um diretor-geral interino e quórum mínimo de três diretores, desde que José Alexandre Rezende deixou o comando e Gregório Rabelo a diretoria em 18 de fevereiro. Quem vinha desempenhando a chefia era Noboru Ofugi, que havia sido reconduzido para a diretoria em 2006 e tem mandato até 2010. Agora ele volta a fazer parte somente da diretoria da agência.

Rezende havia sido nomeado para dirigir a ANTT no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando a permanência no cargo era de seis anos. Desde a sua saída, daqueles empossados pelo governo tucano, somente resta o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, que deve deixar o posto no final deste ano.

Antes de ser confirmada pelo Senado, a indicação de Figueiredo teve que passar por uma bateria de sabatina. Na semana passada, seu nome foi aprovado pelo plenário do Senado. Mas, antes, teve que passar pela Comissão de Serviços de Infra-estrutura da Casa, em maio, onde foi questionado. O Tribunal de Contas da União (TCU) tem seu nome no Cadastro de Responsáveis com Contas Julgadas Irregulares, o que despertou interrogações de membros da oposição.

Figueiredo foi questionado na Comissão do Senado sobre sua conduta quando foi diretor da Valec, empresa estatal responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul, quando, segundo o TCU, firmou um convênio com o estado do Maranhão para repasse de R$ 2 milhões para serviços que são atividade fim de empresas públicas.

Naquela ocasião, Figueiredo disse que havia entrado com recurso no TCU apresentando sua defesa. Ele argumentou que algumas irregularidades citadas pelo órgão de controle não pertenciam à sua área de atuação. O efeito suspensivo até hoje não foi discutido no tribunal.

Dilma indicou

Figueiredo é assessor da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff desde 2005, por quem foi indicado para o cargo de diretor-geral, e exerceu diversos cargos públicos e privados anteriores ligados aos transportes rodoviário e ferroviário. Foi membro da Empresa Brasileira do Planejamento de Transportes (Geipot), fez parte da direção da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e trabalhou no Ministério do Planejamento. Economista de formação, também atuou na área privada em empresas e entidades de classe.

Rodrigues é engenheiro e trabalhou no Departamento de Estradas e Rodagem do Estado de São Paulo (DER), onde fez carreira e chegou a superintendência. Também se destacou na Ferrovia Paulista S.A., onde foi diretor administrativo financeiro.

Os dois novos diretores assumirão seus cargos em uma cerimônia no Ministério dos Transportes, ao qual a agência é vinculada, mas antes tomarão posse oficial em uma reunião da diretoria, conforme o regimento interno da ANTT.

Os novos diretores terão pela frente o segundo processo de concessão de rodovias federais, cujos lotes estão a BR-040, que liga Brasília ao Rio de Janeiro. A primeira licitação, em outubro de 2007, foi considerada modelo, pelo deságio médio que foi de cerca de 40% no valor final do pedágio.