De um lado, 46 navios aguardam para carregar fertilizantes, soja e milho. De outro, uma fila de caminhões de 60 quilômetros, se estende até São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Essa era ontem a situação do Porto de Paranaguá, segundo números da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). A causa para as filas e a longa espera é apenas uma, segundo afirmação da Appa, repassada pela assessoria de imprensa: o não-cumprimento dos prazos de carregamento e descarregamento pelas operadoras (empresas que fazem o “meio de campo” logístico entre exportadores e importadores).

Segundo a Appa, as operadoras não estão cumprindo os prazos combinados com a direção do porto, mesmo após a edição de uma ordem de serviço estabelecendo normas para evitar atrasos. O superintendente do porto mostra-se irritado porque os operadores estariam fazendo um “boicote” ao porto por causa da proibição de exportação de transgênicos. Desde a última sexta-feira, os operadores não teriam programado navios para carregar soja.

Ontem, uma fonte da empresa Rocha Top Terminais e Operadores Portuários, disse que a culpa não é toda dos operadores. “Há vários fatores que influenciam, como problemas nos terminais e nas balanças”, diz a fonte. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) igualmente afirma que o porto também tem culpa. O economista Nilson Hanke Camargo, da Faep, diz que, do ano passado para cá, a movimentação média de Paranaguá caiu de 80 mil para 55 mil toneladas. “No ano passado, o porto chegou a movimentar 108 mil toneladas em um só dia, um recorde.”

Mudanças administrativas combinadas à falta de investimento também contribuíram para a redução da performance, segundo Camargo. “Há problemas de dragagem, higienização e de mudanças de horário de mão-de-obra, para diminuir problemas com passivos trabalhistas. Essas medidas contribuíram para a queda da produtividade”, afirma. Além disso, o economista lembra que o terminal público de Paranaguá não recebeu investimento significativo nos últimos 20 anos.

Sobre a alegação do governo de que a culpa é basicamente dos operadores, Camargo diz que a desorganização das empresas deve ter sido um fator pontual. “Essas empresas não vão perder dinheiro. E quem vai pagar a conta pelo atraso será o exportador”, diz.

Segundo informações da Appa, o tempo médio de espera dos navios no porto é de 20 dias. O economista diz que cada dia parado pode custar US$ 40 mil, que serão rateados entre os exportadores da carga.

Os problemas no porto coincidiram nesta semana com os maiores preços para o bushel (27,21 quilos) de soja dos últimos 16 anos. Ontem, o bushel fechou cotado a US$ 9,89, de acordo com a Agência Rural Commodities Agrícolas. O “risco” portuário – prêmio negativo cobrado pelo mercado internacional de grãos por problemas logísticos – foi amenizado pela expectativa de quebra na safra de soja brasileira. Em alguns estados, a redução na colheita pode chegar a 20%.

O diretor da Agência Rural, Fernando Muraro Júnior, diz que a tendência é que o prêmio negativo de Paranaguá se estabilize por volta de 100 pontos – ou seja, US$ 1 de desconto por bushel de soja. Nesta média, um contrato de exportação por Paranaguá fechado ontem sairia por US$ 8,89 por bushel.

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