Tomado pelas chamas, micro-ônibus correu para trás e bateu contra caminhão, que teve a cabine destruída pelo fogo

Uma viagem rotineira de Santa Cruz do Sul a Venâncio Aires se transformou em um pesadelo para nove ocupantes de um micro-ônibus, durante a tarde de ontem. O coletivo incendiou quando subia a RSC–287 (Santa Maria-Tabaí), na altura do Bairro Jardim Europa, e os tripulantes conseguiram sair momentos antes de o fogo se espalhar. Desgovernado, o veículo em chamas ainda atingiu um caminhão que estava metros abaixo.

O incêndio ocorreu por volta das 15 horas, nas proximidades do cruzamento da RSC–287 com a Avenida Melwin Jones, junto ao trecho onde a rodovia passa entre paredões de pedra. O micro-ônibus da Viasul, de Venâncio Aires, havia saído da Estação Rodoviária de Santa Cruz para uma linha diária. Segundo os bombeiros, dentro havia nove pessoas, incluindo três crianças.

Um dos passageiros era o santa-cruzense Lindomar Alves. Ele afirma ter notado um pouco de fumaça saindo do motor ainda no cruzamento da RSC–287 com a RSC–471 (Santa Cruz-Sinimbu). “Avisei o motorista e ele disse que, se necessário, poderíamos chegar até o posto (Nevoeiro) para ver o que estava acontecendo. Quase no fim da subida, apareceu o fogo”, relata. Segundo Lindomar, embora assustados, todos desembarcaram com rapidez e sem atropelos.

Por sua vez, a passageira Aneris dos Santos da Silva, de Barros Cassal, comenta ter enfrentado instantes apavorantes. Ela viajava com um filho de dez meses, além da filha adulta e o neto. “Foi horrível. Tivemos que seguir para a porta da frente, passando ao lado do fogo. Após descer, os passageiros correram para todos os lados.” Aneris afirma ter sentido “um cheiro de queimado” assim que o ônibus saiu da Rodoviária.

COLISÃO

O caminhoneiro Adão Ricardo Machado, 37 anos, de Antônio Prado, subia a 287 com uma carga de areia quando percebeu o micro-ônibus em chamas dez metros adiante. Ele relata ter freado e seguido a pé rumo ao incêndio com um extintor. Mas, devido à destruição causada pelo fogo nos mecanismos, o coletivo passou a descer de ré, batendo no caminhão. “Tentei correr com intenção de tirar o caminhão dali, mas não houve tempo e tive a cabine destruída. Por fim, meu veículo acabou segurando o ônibus e salvou carros que vinham atrás”, conta Adão. As chamas chegaram a atingir parte da vegetação situada no alto dos paredões da rodovia.

Segundo a ocorrência registrada pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, o motorista do ônibus, Eduardo Schlittler, 29 anos, relatou aos patrulheiros que o fogo começou logo após o coletivo parar em função de uma pane mecânica. O registro oficial não chega a citar a suposta incidência de fumaça minutos antes do aparecimento das chamas. Uma perícia deverá indicar as causas do sinistro.