Diante de um mercado interno fraco no primeiro bimestre, a Ford reviu para baixo suas estimativas para as vendas do setor neste ano, que a montadora projetava em 1,6 milhão de unidades. O presidente da Ford para o Brasil e América do Sul, Antonio Maciel Neto, afirmou que, considerando os meses de janeiro e fevereiro, calcula que 2004 fechará com 1,5 milhão de veículos comercializados.

Em fevereiro, quando o setor vendeu 104.785 unidades, a queda foi de 11,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Com isso, no primeiro bimestre deste ano as fabricantes brasileiras de veículos comercializaram internamente 212.210 unidades, o que significou uma retração de 7,9% na comparação com mesmo período de 2003.

“Quando o ano começou, tínhamos uma perspectiva muito interessante de aceleração, estávamos preparados para uma indústria muito maior do que aconteceu em janeiro e fevereiro”, disse Maciel Neto. Se a previsão de 1,5 milhão para o mercado for confirmada, ainda assim, haverá crescimento de 5% em relação às vendas totais do setor (1,428 milhão) em 2003.

O presidente da Ford afirmou que outro fator que afetou a indústria foi a forte pressão de custos das commodities (itens com cotação internacional), como aço e borracha. Segundo ele, a pressão de custos pode ter contribuído para que o Banco Central não baixasse a taxa básica de juro (a Selic) na velocidade esperada pelo segmento automotivo.

Por conta da manutenção dos juros em 16,5% e desse cenário econômico, a perspectiva que a empresa trabalhava no final de 2003, de a economia nacional crescer 4,5% em 2004, também foi revisada, para 3% a 3,5%. “A economia não está 4×4”, disse Maciel. Ele fez uma referência ao EcoSport 4WD (tração 4×4), versão do utilitário esportivo que foi lançada neste fim de semana.

Em relação aos preços dos insumos, Maciel Neto afirmou que em 24 meses o aço, por exemplo, teve elevação de 75% e há siderúrgicas – ele citou a Usiminas – que divulgaram que farão novos aumentos de 10% a 15% até junho.

Ele entende que o governo precisaria mexer na alíquota do II (Imposto de Importação) do aço para oferecer uma forma de evitar essa pressão de custos, já que calcula que a alíquota real do II sobre o insumo, levando em conta custos dos portos e frete, chega a 25%. “A única forma de atacar isso seria com a alíquota de importação. Hoje se for importar é 6% a 8% mais caro do comprar localmente”.

Ele disse que em todo o ano passado a Ford elevou seus preços em 5,4% e neste início de ano já fez aumento de 5,4%. A elevação neste ano ocorreu em função da alta dos insumos e também do fim do desconto do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

O câmbio também não tem ajudado as exportações para um dos principais mercados da indústria automotiva, o México. “Nos últimos seis meses com a mudança de câmbio, a valorização do real frente ao dólar combinada com a desvalorização do peso mexicano, houve um aumento de 10% a 12% no custo de importação do México”, disse. Além da nova versão do EcoSport, produzido em Camaçari (BA), a montadora quer lançar ainda este ano o Fiesta Sedã e a versão bicombustível do veículo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui