O trânsito de carros de passeio e ônibus na Rodovia dos Romeiros (GO-060) foi liberado segunda-feira pela manhã, mas, por prazo indeterminado, os caminhões continuarão passando por desvios. A Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) recomendam que os caminhoneiros desviem por Guapó, Cesarina, Palmeiras de Goiás e Campestre, num trecho de 117 quilômetros.

O trecho da rodovia, perto do trevo de acesso a Trindade, foi interditado mais uma vez por causa de estragos provocados pela chuva na semana passada.

Para evitar o percurso sugerido pela Agetop e pela PRE, os motoristas de caminhões pesados, em parceria com empresas de tijolos, areia e açúcar da região, improvisaram um desvio de pouco mais de 6 quilômetros no sentido Goiânia–Trindade. O trecho utilizado pelos caminhões é estreito, sem asfalto e esburacado. Com chuvas, fica praticamente intransitável.

Como fez sol durante todo o dia de ontem, a maioria dos motoristas que paravam no posto da PRE – onde eram orientados sobre a impossibilidade de passarem pela GO-060 – optou pelo desvio menor. Uma patrola fica de plantão no percurso para ajudar os caminhões a saírem de eventuais atoleiros.

Carros, motos e ônibus precisaram esperar ontem pelo menos dez minutos para passarem pelo trecho em obras, de Goiânia a Trindade. Quem chegava pelo sentido contrário também teve de esperar o mesmo tempo, já que a pista ficava momentaneamente interditada para passagem dos outros automóveis. De acordo com o diretor de Operação e Manutenção da Agetop, Rogério Mendonça, ainda existe o risco de queda dos aterros que resistiram à força das águas e, por essa razão, o tráfego de caminhões não foi liberado.

Prejuízos e risco de acidentes – De Mineiros até Jataí ocorrem problemas esporádicos na BR-364. Daí o caminho passa novamente pela BR-060, até Rio Verde. O destino agora é a BR-452, que liga a cidade a Itumbiara. A rodovia é uma das que mais provocam reclamações dos motoristas. Que o diga o catarinense Flávio Treginatto, 25, que, no início da tarde do dia 5, tombou uma Scania carregada de farelo de soja a poucos quilômetros de Rio Verde. “Fui desviar de um buraco e perdi o controle da carreta”, resumiu, assustado e de olhos arregalados, enquanto aguardava o guincho.

No trecho que vai de Rio Verde ao trevo de Santa Helena a situação da pista é desesperadora, muitos buracos têm meio metro de profundidade e sua largura é do tamanho de uma caminhoneta. Os carros têm de fazer desvios e alguns transitam em zigue-zague pela rodovia. De longe é possível observar os carros serpenteando. Neste ponto é impossível observar as placas de trânsito. Mas quem se arriscar a transitar pelo menos próximo dos 80 quilômetros por hora com certeza terá o dissabor de se envolver em um grave acidente.

Martírio – O motorista de ônibus aguardando impassível o socorro próximo a Piranhas, o caminhoneiro de Mineiros revoltado com os prejuízos no veículo de trabalho, o carreteiro que implora para que o pedágio seja implantado como forma de melhorar as rodovias e o caminhoneiro assustado que tombou a carreta para desviar de um buraco em Rio Verde são apenas alguns dos muitos personagens cotidianos que sentem na pele e no bolso as condições precárias das BRs goianas. Para eles, que têm nos veículos e nas estradas os meios de sobrevivência, rodovia ruim é sinal de sofrimento. E o pior é não saber quando esse problema terá fim. “Esse é um martírio que não tem data para terminar”, diz o motorista paranaense Lenir Zanetti.

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui