Já estava praticamente firmado um acordo entre o Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Caí (Codevarc) e o Governo do Estado quanto ao pedágio na RS 122. Após uma reunião no núcleo universitário da Universidade de Caxias do Sul (UCS) no Caí, uma comitiva de prefeitos da região, sob a liderança do presidente do Codevarc e do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede), Clóvis Assmann, teve um encontro com a governadora Yeda Crusius e secretários, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. “Foi construído um entendimento através do diálogo”, destacou Clóvis. “Estamos contribuindo para a solução da questão”, completou, ao entregar para a governadora um relatório com a posição da região e as reivindicações de obras para o Vale do Caí. “Está havendo a compreensão do projeto. Todos querem obras e transparência”, frisou Yeda, ressaltando que seria criado um Conselho de Usuários.

O encontro dos prefeitos do Vale do Caí com a governadora, ocorrido na última quarta-feira, dia 10, chegou a ser destaque em emissoras de televisão, jornais e rádios. O Governo tratou como sendo uma importante manifestação de apoio ao seu projeto Duplica RS, que visa estender os prazos de concessão das praças de pedágio em troca de obras nas estradas. A reunião teve ainda a presença do secretário estadual de infra-estrutura e logística Daniel Andrade, do chefe da casa civil José Alberto Wenzel e do líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Pedro Westphalen.

De acordo com Clóvis, o documento encaminhado para a governadora foi resultado das diversas reuniões do Conselho e audiências com secretários estaduais e deputados. A proposta inclui a manutenção da praça de pedágio em Rincão do Cascalho (Portão); a instalação imediata de serviços de guincho, ambulância, telefone de emergência e iluminação nos trevos de acesso; a cobrança somente num sentido e com redução de tarifas; restauração das vias de rolamento da RS 122 e isenção do pagamento de pedágio para os veículos oficiais dos municípios.

Já entre as obras, constam no relatório: duplicação da RS 452 entre Bom Princípio, Feliz e Vale Real; trevo de acesso para Feliz; viaduto de acesso da RS 452 à RS 122 em Bom Princípio; duplica da RS 240 e RSC 287 do Rincão do Cascalho até a BR 386; viaduto de acesso da RS 122 ao Caí pelo acesso sul próximo ao arroio Cadeia. Também foram exigidos compromissos de: conclusão do asfaltamento entre Montenegro, Pareci Novo e o Caí (RS 124); conclusão do asfalto entre Caí e São José do Hortêncio; asfaltamento entre Harmonia e São José do Sul, construção da rodovia Transaçoriana entre Capela de Santana e Nova Santa Rita; asfalto entre Alto Feliz e Nova Milano; asfalto entre Caí e Capela pelo Passo da Taquara; revitalização da barragem do Rio Branco para possibilitar a navegação no rio Caí, reativação da balança da pesagem de veículos; inclusão do Codevarc no Conselho Gestor do Pólo de Pedágio; criação de uma vaga no Conselho Gestor para a Associação dos Municípios do Vale do Caí (Amvarc); e firmação de convênio estabelecendo cronograma de execução com início e fim das obras regionais.

Clóvis esclarece que não existe uma manifestação de apoio ou contrária ao projeto Duplica RS. A mobilização dos prefeitos foi contra a instalação de uma praça de pedágio no bairro Conceição, do Caí, que teria cobrança nos dois sentidos. E essa união dos prefeitos deu resultado, tanto que o projeto foi alterado. O certo é que o pedágio não será mais no Caí. Pela nova proposta do Governo, o pedágio ficaria no Rincão, com cobrança num único sentido da RS 122 e 240. E seria instalado um novo pedágio em São Vendelino, também na RS 122, provavelmente na localidade de Piedade, entre os quilômetros 38 e 39, também com cobrança em sentido único. Pelas exigências, seria concedida isenção aos moradores de São Vendelino, como já acontece no Portão. E o município ainda receberia uma receita de cerca de R$ 400 mil referente ao ISSQN.

Região dividida
Dos 19 municípios do Vale do Caí, apenas sete estiveram representados com prefeitos atuais ou eleitos na reunião realizada quarta-feira na UCS, a qual antecedeu o encontro com a governadora. Além de Darci Lauermann (Caí), estiveram Nestor Seibel (Bom Princípio), Mário Rohr (São José do Sul), Ilda Ost (Bom Princípio), Régis Fritzen (São Vendelino), Guiomar Wingert (Linha Nova), Cesar Assmann (Feliz) e Oregino Francisco (Pareci Novo), além do presidente do Corede Clóvis Assmann e o deputado estadual Paulo Azeredo.

Azeredo logo se manifestou contrário à privatização do pedágio do Rincão, lembrando que já no início do próximo ano terá aumento na tarifa e que a concessionária terá poder para aumentar valores e mudar praças. “Não podemos dar esse cheque em branco”, ressaltou.

Darci concordou, mas lembrou que não vê outra alternativa para que o pedágio se instale no Caí, já que havia a tendência de aprovação por parte da maioria dos deputados estaduais. “O pedágio comunitário duplicou a RS 122 cobrando menos que o privado, que não duplicou um quilômetro”, afirmou Azeredo. Já Guiomar lamentou a divisão entre os prefeitos da região, criticando os demais que não estavam presentes no encontro. “Graças a mobilização de alguns o Governo chegou a mudar o projeto”, disse, defendendo a pressão para que os deputados votem contra e que sejam atendidas as reivindicações do Vale do Caí. Entre as solicitações, Azeredo pediu a inclusão da construção de viadutos, passarelas, vias laterais e trevos de acesso em Montenegro e que o Governo aplique os recursos disponíveis no caixa único do tesouro, originários do pedágio do Portão, na ordem de R$ 15 milhões, em obras na região.

IMPASSE
Após o Governo Federal comunicar que não autoriza a prorrogação dos contratos prevista no projeto Duplica RS, a governadora decidiu retirar a proposta que seria votada na Assembléia Legislativa na próxima terça-feira. Yeda Crusius ficou bastante revoltada com a decisão do Ministério dos Transportes e pretende negociar diretamente com o presidente Lula. Enquanto isso, continua tudo como está. O importante é que o Vale do Caí já firmou posição, impedindo a instalação do pedágio na Conceição e encaminhando suas reivindicações de obras.