Descer a Estrada da Graciosa (PR-410) nos fins de semana é programa comum entre os paranaenses. O que muitas pessoas que passam por essa estrada não sabem é que passeiam, ao menos na visão de uma revista de turismo dos Estados Unidos, por uma das dez rodovias mais assustadoras do mundo. A opinião está na edição de agosto e no site da publicação Travel and Leisure, que tem 4,7 milhões de leitores.

A revista abre a matéria dizendo que “as estradas da lista não foram feitas para um passeio de domingo”. A primeira da lista é a Estrada da Morte, que liga La Paz a Coroico, na Bolívia.

Sobre a Graciosa, que está em sétimo lugar, a publicação diz que a estrada passa por pontes cobertas de musgos, menciona a “escorregadia e perigosa” pavimentação de paralelepípedos que cobre parte de sua extensão e destaca, por fim, as hortênsias que crescem nas margens de alguns trechos.

Apesar da matéria seguir uma linha de turismo de aventura, a inclusão da Graciosa na lista é polêmica. O site de turismo Viaje Aqui, ligado à Editora Abril – que edita o Guia Quatro Rodas Estradas -, considerou que a escolha surpreendeu. O guia tem uma lista das dez piores estradas do Brasil, que estão todas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para o secretário de Estado dos Transportes e diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, Rogério Tizzot, a Graciosa não é insegura.

“Tanto é que não existem acidentes graves lá”, explicou. De fato, os números da PR-410 não são muito assustadores: segundo o DER, durante todo o ano passado aconteceram 73 acidentes, com 27 feridos e nenhuma morte. Neste ano, foram 23 ocorrências, com nove feridos.

Freqüentadores da Graciosa discordam da escolha da revista norte-americana. O biólogo Márcio Switala, que passa pela Estrada desde a infância, elogia o seu traçado: “Ao invés de transpor o obstáculo natural, contorna sua forma em busca da suavidade e respeito ao relevo”.

Ele conta que até a escolha de sua profissão está relacionada à Graciosa e nem mesmo um acidente que sofreu na Serra, quando o carro que estava com sua família perdeu os freios, tirou sua paixão pelo local.

Comentários de leitores do site brasileiro também questionam a publicação. Um deles, por exemplo, lembrou que a estrada “não é uma via de trânsito intenso, servindo somente para o turista apreciar a paisagem e considerar a história”.