Os índios da etnia Paresi, que habitam a região médio Oeste do Estado, estão apreensivos ante a possibilidade de perderem o controle do posto de pedágio na MT-235. Consequentemente, o dinheiro que arrecadam para permitir que veículos atravesse a Área Indígena Utiariti, situada no meio da ligação entre os municípios de Campo Novo do Parecis e Sapezal – dois dos maiores produtores de grãos do Estado. A Funai queira assumir a direção do controle de passagem pela MT-235.

Líderes paresi estiveram foram a Brasília para buscarem o diálogo com diretores da Fundação Nacional do Índio (Funai), mas não conseguiram ser atendidos. “O recurso desta rodovia vai para a educação e para saúde. Nós não levamos transtorno financeiros aos Governos, não pedimos sacolões” – disse o representante da comissão indígena, Ronaldo Zokezomatak. O valor que se arrecada com o pedágio na MT-235 não foi revelado pelo líder indígena.

A pavimentação da rodovia já está autorizada pelo Governo do Estado, aguardando apenas a Licença Prévia (LP) por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para dar continuidade ao planejamento da obra. A princípio, a pavimentação será aberta para vários trechos diferentes, o que significa mais celeridade para o término quando as obras começarem.

Mesmo a MT-235 sendo uma rodovia estadual, somente o Ibama tem poder para expedir este tipo de licenciamento pelo fato da estrada passar dentro de uma área federal (toda terra indígena é de jurisdição da União). Apesar de todas as exigências do órgão e dificuldades para se conseguir a LP, sempre houve uma forte defesa pela manutenção deste traçado, já que os índios da Região são os principais apoiadores do asfaltamento.

O apelo para manter o controle sobre o pedágio chegou ao governador Blairo Maggi, que prometeu intervir no caso. O Estado dará apoio político para os índios. Ao todo, 46 aldeias paresi se beneficiam com os recursos do pedágio. Zokezomatake comentou que o governador foi solicito com o pedido de apoio político, e o Governo irá intermediar a negociação com a Funai. “O Estado concordou com a necessidade que nós temos com este pedágio, a única fonte de renda de todo o povo Paresí” – frisou.