Em análise há 10 anos para aprovação na Câmara dos Deputados, a Inspeção Técnica Veicular foi tema central da 14ª edição do Seminário da Reposição Automotiva, que reuniu os presidentes do Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, Paulo Butori; Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Jackson Schneider; Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, Sérgio Reze; Andap – Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças, Frederico dos Ramos; Sicap – Sindicato do Comércio Atacadista Importador, Exportador e Distribuidor de Peças, Rolamentos, Acessórios e Componentes para a Indústria e para Veículos no Estado de São Paulo, Mário Penhaveres Baptista; Sincopeças-SP – Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo, Francisco De La Torre; Sindirepa-SP – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo, Antonio Fiola; Instituto Brasileiro Veicular, Luiz Antonio Pirola; e o engenheiro da ABCR – Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, Gil Firmino Guedes, para o debate mediado pelo jornalista Joel Leite, especializado no setor automotivo.

Pela primeira vez montadoras, redes de concessionárias autorizadas e o setor da reposição automotiva (fabricantes de autopeças, distribuidores, varejistas e reparadores) discutiram propostas sobre esse tema, que envolve toda a sociedade, já que milhares de veículos trafegam sem as mínimas condições de uso, colocando em risco a vida das pessoas e também aumentando índices de emissões de poluentes que provocam doenças no sistema respiratório.

Por entender que a implantação da nspeção Veicular é uma questão de cunho social, o setor automotivo é favorável à aprovação da lei que tramita há 10 anos no Congresso Nacional.

Entre as propostas apresentadas, o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, explicou que a implantação da Inspeção Veicular vai melhorar a qualidade de vida da sociedade e gerar economia aos cofres públicos, pois os acidentes de trânsito, segundo estudos do IPEA, provocam impacto social e despesas altíssimas com internações em hospitais e indenizações, da ordem de R$ 22 bilhões, valor que pode ser revertido diretamente ao projeto, permitindo que a inspeção seja gratuita em um segundo momento.

O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, disse que a medida é necessária para garantir que os veículos trafeguem de forma adequada. “Com a inspeção veicular em vigor, as cidades terão mais mobilidade, pois os veículos quebrados por falta de manutenção complicam ainda mais o trânsito em centros urbanos, sem falar em segurança e redução de poluentes”, afirmou. Ele sugeriu que a inspeção fosse implantada em etapas, estabelecendo alguns critérios para incentivar o motorista a cuidar do seu veículo de acordo com a utilização do mesmo.

O presidente da Andap, Frederico dos Ramos, comentou que o motorista também vai se beneficiar com a medida, levando em consideração que veículo em bom estado de conservação, além de garantir a segurança de condutores e ocupantes e reduzir a emissão de poluentes, também terá melhor desempenho e consumirá menos combustível.

O presidente do Sindirepa-SP, Antonio Fiola, lembrou que entre os 15 países do mundo que têm a maior frota de veículos, somente o Brasil e a Rússia não possuem inspeção obrigatória.

Para que o motorista não tenha um custo a mais com o seu carro, o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, sugeriu que os governos estaduais dêem desconto no IPVA aos veículos aprovados na inspeção. “A inspeção veicular é uma medida benéfica para toda a sociedade e o motorista precisa se conscientizar dos benefícios gerados ao manter o seu veículo em ordem para não provocar acidentes. Além disso, seria possível criar a indústria para reciclagem, como existe na Europa, permitindo a renovação da frota de uma forma que o veículo com muita idade poderia ser substituído por um mais novo”, revelou.

Como forma de expressar a relevância da implantação da Inspeção Técnica Veicular, principalmente por ser uma causa de interesse social, o GMA – Grupo de Manutenção Automotiva, vai elaborar um documento com todas as propostas apresentadas no evento que será encaminhado aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, e do Senado, Garibaldi Alves Filho.

Carro 100% e Caminhão 100% – A primeira campanha educativa do setor da reposição automotiva para conscientizar o consumidor a fazer a manutenção preventiva do seu veículo foi o tema que encerrou o seminário. A apresentação do coordenador do GMA, Antônio Carlos Bento, resumiu as ações e os resultados gerados com essa iniciativa inédita, que teve início em maio deste ano, com anúncios em rádios nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Brasília, em revistas especializadas de abrangência nacional e publicações segmentadas dirigidas ao setor da reposição automotiva.

Bento também comentou que o programa “Carro 100% e Caminhão 100%” prevê treinamento para empresários do setor da reparação de veículos e profissionais do varejo e de oficinas.

Outro ponto abordado pelo coordenador do GMA, foi a participação do setor de autopeças no Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade, com a gravação de uma campanha que será veiculada em rede nacional a partir de setembro, alertando o consumidor sobre o perigo da aplicação de uma peça sem comprovação de qualidade e de procedência desconhecida, colocando em risco a vida das pessoas.

Durante o seminário, também foram abordadas questões sobre o potencial de crescimento do setor brasileiro da reposição automotiva sob a ótica de fabricantes e de distribuidores de autopeças e palestra do diretor da GIPA Brasil, Raul Camargo, que traçou o cenário da reposição automotiva na Europa desde a implantação da lei Monti em 2002.