A delegada Andréa Abood, da Delegacia Especializada em Acidentes de Veículos (Deav), instaurou inquérito para investigar as responsabilidades do acidente de trânsito ocorrido em 13 de julho, na BR-040, perto do BH Shopping, envolvendo o professor universitário José Maria Morais, de 53 anos, o cabo do Corpo de Bombeiros Eudes do Santos Francisco, de 37, e o médico Wesley Gomes, de 28. No dia da batida, teste do bafômetro constatou que Wesley dirigia alcoólizado o Polo placa HGI 2765 pela rodovia, batendo na traseira do Gol HHT 5947, do cabo. Com o forte impacto, Eudes perdeu a direção, atravessou o canteiro central da pista e atingiu a moto HDL 9192, do professor.

A delegada intimou os envolvidos a prestar depoimento a partir do dia 13. No entanto, o estado de saúde do professor José Maria o impede de ir à delegacia e ele será representado pelo irmão, Ricardo Augusto Morais. O médio será ouvido no dia 16. “O relatório será encaminhado à Justiça. A situação de Wesley é complicada. Além de dirigir embriagado, ele é um profissional da saúde e a má conduta pode pesar na decisão judicial”, afirma a delegada.

Desde o dia do acidente, a família do professor vem pedindo justiça. Acusado de causar o acidente, o médico nega que foi imprudente. De acordo com ocorrência feita pela Companhia de Polícia Militar Rodoviária Estadual no Detran, Wesley dirigia em alta velocidade e teria apresentado sintomas de embriaguez, como “olhos vermelhos e hálito etílico”. Segundo a polícia, o teste do bafômetro revelou 5,6 decigramas de álcool no organismo, resultando na apreensão da carteira e em multa de R$ 957,70. Os familiares da vítima alegam que o resultado do teste foi uma forma que Wesley encontrou para evitar a prisão em flagrante. “Ele se negou a fazer o teste nas primeiras horas, pois sabia que poderia acusar mais de seis decigramas”, disse, revoltado, Henrique Morais, filho do professor.

Segundo o cabo Eudes, motorista do Gol, testemunhas confirmam que o clínico geral não prestou socorro à vítima. “Ele me confessou que voltava de festa em Ouro Preto e teria cochilado ao volante. O que mais me indigna é que, como profissional da saúde, foi incapaz de ajudar a vítima”, afirma. O médico contesta a acusação e alega que fez o possível para auxiliar José Maria. “É mentira quando dizem que não agi; prestei socorro, sim”, disse.

José Maria sofreu várias fraturas e foi encaminhado ao Hospital de Ponto-Socorro João XXIII. Teve a clavícula e quatro costelas quebradas e, segundo Henrique Morais, ficou dois dias internado, seguindo depois para o Hospital Madre Tereza, na Região Oeste de BH. “Ele foi transferido porque precisava passar por uma cirurgia delicada, mas, como uma costela perfurou o seu pulmão, teve que ficar imobilizado por três dias, antes da operação”, conta o filho.

O professor já passou por sete intervenções médicas, com a implantação de próteses e pinos de metal nas pernas e braços. “Como o material não é nacional, o plano de saúde não cobriu os custos. Tivemos de desembolsar quase R$ 6 mil”, lamenta Henrique.

Wesley nega que estivesse alcoolizado: “O acidente só ocorreu porque o Gol, que estava na minha frente, parou bruscamente e tive de frear. Não teve como evitar a batida”, justifica.