Muitos motoristas detidos pagaram fiança para responder processo criminal em liberdade

No primeiro final de semana da lei que estabelece tolerância zero ao álcool no trânsito, pelo menos 45 motoristas foram presos por dirigir sob a suspeita de terem consumido bebida alcoólica no Rio Grande do Sul.

O rigor da nova legislação levou para a cadeia mesmo quem sequer bateu o carro. Até a mudança que encaixou o Brasil na lista dos países com legislação mais rigorosa de repressão ao álcool ao volante, só eram autuados em flagrante condutores que se envolvessem em acidentes graves.

As prisões representam um marco na relação álcool e volante e um alerta para quem não acreditava no poder da medida que entrou em vigor na sexta-feira. Agora, é considerado crime de trânsito dirigir com mais de 0,6 grama de álcool no sangue, mesmo que a pessoa não tenha se envolvido em acidentes, com pena de detenção prevista de seis meses a três anos. Qualquer quantidade abaixo disso é proibida. No entanto, o motorista terá o carro apreendido e a carteira de habilitação recolhida, além da multa de R$ 955, mas escapa de responder a processo criminal.

Dos presos no final de semana, muitos pagaram fiança para responder processo criminal em liberdade, antes do encaminhamento ao presídio. Mas em quase metade dos casos o motorista acabou atrás das grades. Das 45 prisões, 34 ocorreram dentro das cidades, em operações realizadas pela Brigada Militar. Os testes foram realizados preferencialmente em motoristas com suspeitas de embriaguez ou que participaram de acidentes.

— Isso que nem fizemos nenhuma operação especial. As pessoas têm de entender que, com pouco mais de duas latas de cerveja, já podem ser presas — disse o coronel Paulo Roberto Mendes, comandante-geral da Brigada Militar.

Brigada Militar vai comprar bafômetros

Nas rodovias federais do Estado, onde desde sexta-feira os policiais apertaram o cerco contra motoristas bêbados, nove pessoas foram detidas.

— Aumentamos a fiscalização e vamos aumentar ainda mais. A nova lei dá mais respaldo ao policial para prender pessoas bêbadas pelas estradas. Antes pegávamos a pessoa caindo de bêbada e nada acontecia com ela, a não ser que houvesse uma morte ou que ela colocasse a vida de alguém em risco – comentou Alessandro Castro, chefe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal no Estado.

Em Pelotas, um motociclista conheceu o rigor da nova lei no final da noite de sábado. Um motociclista foi detido na BR-116 ao tentar furar uma barreira. Sem carteira e com os documentos vencidos da RD-135 que dirigia, ele foi flagrado no bafômetro com 0,92 miligrama de álcool por litro de ar dos pulmões, o equivalente a 1,8 grama de álcool por litro no sangue. O volume é três vezes superior ao limite que estabelece a prisão para embriaguez ao volante. Até o final da tarde de ontem, ele seguia recolhido no Presídio Regional de Pelotas.

Nas rodovias estaduais, duas pessoas foram presas por embriaguez ao volante – uma em Santa Cruz do Sul e outra em Vera Cruz. Outros 11 motoristas foram parados com algum percentual de álcool no sangue e tiveram a habilitação recolhida. E o Batalhão Rodoviário da Brigada Militar promete intensificar a fiscalização. Na próxima semana deverão ser entregues 40 bafômetros comprados via licitação, o que possibilitará que cada unidade do Estado tenha um equipamento. Hoje, são apenas oito aparelhos para os 11 mil quilômetros de estradas estaduais.