As punições previstas com a aprovação da nova Lei Seca já começam a influenciar no comportamento do motorista nas rodovias federais do Estado. O chefe do Núcleo de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal, Edmar Camata, revelou que no último final de semana 1120 condutores foram abordados durante blitze e quatro estavam embriagados. “A gente já percebe que o número de pessoas embriagadas começa a diminuir. A população se amedrontou ou se conscientizou para a mudança”.

Para Camata, a redução do número de flagrantes se deve ao foco das punições ter se voltado contra o motorista que insiste em combinar álcool e direção. “Antes os motoristas eram punidos. Depois os comerciantes foram impedidos de vender bebidas alcoólicas às margens das rodovias. O legislador liberou o comércio e voltou o foco para o motorista, com maior rigor”.

Já o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar abordou 279 motoristas entre a noite de sexta-feira (27) e a noite de sábado (28). Setenta e nove pessoas foram submetidas ao teste do bafômetro. Em 16 casos foi constatada a presença de álcool no sangue e os motoristas foram multados. No fim de semana, 12 pessoas foram encaminhadas aos DPJs pelos agentes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar.

O comandante do Batalhão de Trânsito Rodoviário e Urbano da Polícia Militar, tenente-coronel Valdir Leopoldino, acompanhou as operações. “Fizemos várias operações do Madrugada Viva. Estamos preparando a sociedade capixaba para essa mudança na lei. Se não houver essa mudança de comportamento eles vão endurecer ainda mais a lei e aí vai ser ainda pior para quem insistir em beber e dirigir”.

O tenente-coronel lembrou os números que resultam da combinação álcool e volante. Por ano, mais de 35 mil pessoas morrem no trânsito em todo país. O número de feridos chega a 400 mil. Somente nos hospitais capixabas, especializados no atendimento de feridos, são gastos R$ 5 milhões por mês com quem se acidenta no trânsito.

Valdir Leopoldino afirmou que as ações vão continuar e os policiais farão blitz em dias alternados da semana. O objetivo é flagar quem deixou de sair no final de semana para beber e dirigir durante os dias úteis. “Quando for constatado odor etílico, nós convidamos a pessoa a fazer um teste. São inventadas várias desculpas para que o teste do bafômetro não seja realizado. A gente ouve cada coisa. O que constatamos de desculpas dentro da Grande Vitória é teatro. As pessoas que caem no Madrugada Viva na Região Metropolitana beberam muito”.