A última semana foi de festa para o Rio de Janeiro. Após meses de especulações e promessas, a Comissão Estadual de Controle Ambiental finalmente concedeu a licença ambiental que permite a construção do Arco Metropolitano. Orçado em R$ 928 milhões, o projeto tirará do papel uma rodovia de 145 quilômetros de extensão que ligará o município de Itaboraí ao Porto de Itaguaí. Da verba necessária, R$ 700 milhões estão garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Lula. O restante será contrapartida do Estado fluminense.

Com a licença, a Secretaria de Obras do Rio de Janeiro já pode começar as obras na prática. Além de desafogar o tráfego da Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói, carregados de caminhões que disputam espaço com os veículos de passeio, a nova estrada também vai facilitar o transporte de cargas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo até Itaguaí, impulsionando o porto local, construído para ser o hub port (porto concentrador de cargas) brasileiro, mas que não conseguiu cumprir tal objetivo até hoje.

Em entrevista exclusiva ao PortoGente publicada no começo de 2008, o secretário Estadual de Transportes, Julio Lopes, já destacava as vantagens que o Arco Metropolitano trará ao setor de transportes carioca e fluminense. “O Arco é um projeto imensurável para cargas e passageiros. São 145 quilômetros de extensão que mudarão completamente nossos acessos. Após a conclusão da obra, os pólos petroquímicos de Itaboraí e siderúrgico em Itaguaí serão impulsionados e os gargalos da Região Metropolitana serão desafogados”.

O vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi outro que falou sobre a obra. Na última semana ele disse que “o Arco Metropolitano é estratégico para o desenvolvimento econômico não só do Rio de Janeiro, mas também do país, além de ser um grande gerador de empregos, o que vai representar muito para quem tenta um trabalho, mas não consegue”

E por falar em emprego, vale destacar que o Governo do Rio de Janeiro vem desenvolvendo com os prefeitos das cidades atingidas pela obra um Plano Diretor, buscando assim analisar a melhor integração entre o Arco Metropolitano e as comunidades por onde passará. Um dos primeiros assuntos escolhidos é a capacitação de mão-de-obra, para os futuros empreendimentos de forma que, quando da instalação das empresas, haja profissionais qualificados para preencher o quadro de vagas delas. O Arco deve ficar pronto em dois anos.

Etapas

O primeiro segmento da via compreende um trecho da BR-493, de 25 quilômetros, que vai do entroncamento da BR-101 em Manilha ao entroncamento com a BR-116, em Santa Guilhermina. Este trecho será duplicado pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit). O segundo ponto é de responsabilidade da concessionária, o trecho da BR-116 de 22 quilômetros que vai do entroncamento com a BR-040 em Duque de Caxias ao entroncamento com a BR-493 em Santa Guilhermina.

O terceiro segmento será construído pelo Estado, terá 70 quilômetros e irá de Duque de Caxias ao Porto de Itaguaí, cortando as rodovias BR-040 (Rio-Juiz de Fora), BR-465 (antiga Rio-São Paulo), BR-116 (Via Dutra) e BR-101 (Rio-Santos). O quarto e último segmento ficará na BR-101, terá 22 quilômetros de extensão e ficará a cargo do Governo Federal, indo de Itacuruçá à Avenida Brasil.