O número de atropelamentos registrados no trecho duplicado da BR-101 é alarmante. De acordo com um levantamento concluído na semana passada pela Polícia Rodoviária Federal, em 2001 ocorreram 413 atropelamentos que resultaram nas mortes de 134 pessoas nas rodovias federais do Estado. Somente em um dos trechos duplicados da BR-101, compreendido entre Palhoça (km 217) e Itajaí (km 112), foram registrados 202 atropelamentos e 60 mortes média de uma morte a cada seis dias. “As ocorrências neste trecho, que corresponde apenas a 105 quilômetros de duplicação, são assustadoras, pois representam quase 50% dos atropelamentos e geraram uma média de cinco mortes de pedestres por mês”, ressaltou o chefe do setor de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal, Luiz Graziano. Segundo ele, comparando as estatísticas de 1998, quando a BR-101 ainda tinha pista simples, a situação é ainda mais preocupante. Em 1998, em todas as rodovias federais catarinenses, foram 405 atropelamentos que ocasionou 112 mortes. “Nestes dados atuais não estão contabilizados as pessoas que faleceram no hospital, nem as colisões com ciclistas que também apontam estatísticas preocupantes”, destacou Graziano. De acordo com o relatório, em 2001, foram registrados 360 acidentes envolvendo bicicletas. O principal fator apontado pelos policiais rodoviários está na falta de consciência das pessoas que se aventuram na travessia da rodovia, ignorando viadutos e passagens secundárias. Conforme dados do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), no trecho entre os quilômetros 217 e 112, são 53 travessias, 30 viadutos, 19 passagens inferiores e quatro passarelas. Graziano ressalta que “90% dos atropelamentos são ocasionados por culpa dos pedestres”. “Faltam estruturam de acessos em alguns trechos, porém, este não é o principal fator para a ocorrência de acidentes. Temos registro de pedestres atropelados embaixo de viadutos”, ressaltou Graziano. O policial rodoviário do Posto da Itapema, Carlos Roberto Wolff, também reforça a falta de consciência dos pedestres como a principal causa dos atropelamentos. Ele lembra, que com a duplicação, o perigo dobrou, pois ao invés de duas pistas o pedestre precisa cruzar quatro e pular sobre a mureta central até chegar à outra margem da rodovia. Outro fator de risco apontado pelo patrulheiro é o aumento da velocidade média dos veículos, que passou de 80km/h para 110km/h.ö “Estamos falando em média, porém, já flagramos carros a 180 km/h e motos à 210km/h, no trecho duplicado. Qual o pedestre que consegue ter noção de tempo e distância com estas velocidades?, indagou o policial. Correndo riscos O perigo, porém, parece não assustar muitos pedestres. Em menos de 15 minutos em que a equipe de reportagem do Santa permaneceu no km 132, em Balneário Camboriú, seis pessoas atravessaram as quatro pistas da rodovia, mesmo com um acesso inferior há poucos metros de distância. “Sei o quando é perigoso, mas prefiro correr este risco do que andar um pouco mais para utilizar a passagem”, admitiu o pintor Vilmar Borges de Oliveira, 31 anos, morador do Bairro Morretes. Ele atravessa a rodovia pelo menos duas vezes por dia. “Já me acostumei a atravessar e acho que dá para ter uma boa noção da velocidade dos veículos. À noite, é que a atenção tem que ser redobrada”, diz o pintor. Porém, nem esta atenção muitas vezes é dispensada pelos pedestres na travessia relâmpago. Uma garota que também se aventurou na rodovia aparentava ter a pressa como seu principal desafio naquela momento. Antes de atravessar as quatro pistas, ela sequer parou na margem da BR-101. Uma olhada rápida para um dos sentidos da via foi o suficiente para sair correndo e em menos de 20 segundos chegar no outro lado. ö”Essas cenas são lamentáveis. A segurança e, conseqüentemente, a própria vida são colocados em prova todos os dias pelo comodismo e falta de consciência, principalmente dos moradores das margens da BR-101″, afirmou o patrulheiro Wolff.

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