Cerca de 600 integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) estão acampados no trevo de ligação entre a BR-470 e BR-116. No final da tarde de ontem, eles chegaram a interromper, por meia hora, o tráfego das duas rodovias para uma panfletagem. A manifestação acontece para marcar o dia internacional dos atingidos por barragens, ocorrido no último dia 14, e eles prometem permanecer no local até o final de semana.

De acordo com o coordenador nacional do MAB, Delmar Jaguszewski, hoje é esperada a chegada de outros 500 integrantes do movimento que vão se juntar à manifestação. A maioria dos participantes é oriunda das regiões das usinas de Machadinho, Barra Grande e Campos Novos. “Manifestações estão ocorrendo simultaneamente em 19 estados e aqui em Santa Catarina deveremos ter outro ponto de concentração no Oeste”, informou Jaguszewski.

Hoje de manhã os manifestantes vão discutir, em assembléia, o fechamento ou não das duas rodovias federais. “Apenas com ações como esta que conseguimos ser ouvidos”, comentou o coordenador, lembrando que comissões do MAB estão em Brasília, Porto Alegre e Florianópolis, negociando para que os governos federal e estadual participem da solução dos problemas junto às empresas responsáveis pela construção das usinas hidrelétricas.

Segundo os participantes da manifestação, em Santa Catarina o caso mais grave ocorre na hidrelétrica de Campos Novos, onde os acordos estão difíceis e os valores oferecidos pela empresa nas indenizações são considerados muito baixos. “Eles estão oferecendo R$ 2 mil por alqueire, quando o preço de mercado passa de R$ 10 mil”, reclamou Liodato Vicente, 63 anos, que teve 18 alqueires atingidos pela barragem em quatro áreas distintas. “Seis famílias dependem dessas terras para viver”, completou Vicente.

Já Orsinde Padilha, 45 anos, disse que embora trabalhe nas terras como arrendatário há pelo menos 24 anos, seu pedido de indenização foi negado pela empresa. Outro que também reclama é Osni Oliveira, 40 anos. Ele garantiu que o dinheiro oferecido pela Campos Novos Energia para pagar seus três alqueires atingidos não é suficiente para compra um único alqueire em outro local.

Reunião

Hoje, a partir das 9 horas, a diretoria da Campos Novos Energia S.A (Enercan), empresa responsável pela obra da Usina Hidrelétrica que está sendo construída no rio Canoas, entre os municípios de Campos Novos e Celso Ramos, estará reunida com lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Em pauta, a exigência do MAB para que seja criada uma equipe paritária para negociar com a empresa. Conforme a Enercan, a exigência é infundada, pois já existe uma comissão que é formada por integrantes das comunidades atingidas pelo empreendimento (Campos Novos, Celso Ramos, Anita Garibaldi e Abdon Batista) que negocia com a empresa.

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