Cerca de 200 pessoas ligadas ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) acamparam na manhã de ontem nas proximidades do trevo da BR-282, em Xanxerê. Os manifestantes são oriundos de 30 municípios do Oeste do Estado que, direta ou indiretamente, são ou serão afetados pela instalação de usinas hidrelétricas. Sob constante monitoramento da Polícia Rodoviária, eles armaram barracos de lonas, fixaram faixas e montaram postos de distribuição de folhetos aos motoristas. No material impresso, uma enxurrada de argumentos no sentido de cobrar do governo federal um novo modelo energético nacional. “Já são mais de um milhão de famílias atingidas em pouco mais de 40 anos no Brasil. E cerca de 700 mil não conseguiram nenhum tipo de indenização e se tornaram sem-terra, passando até fome”, explicou Mauro Bremm, um dos coordenadores do MAB.

Os manifestantes saíram dos municípios de origem ainda de madrugada e chegaram em Xanxerê por volta das 9h30. Depois de duas horas de conversações com policiais rodoviários, os integrantes do MAB concordaram em manter a rodovia aberta durante todo o dia. Mesmo assim, o trânsito no local da manifestação ficou um pouco lento em razão da presença constante de pessoas que ladeavam a rodovia com bandeiras em punho. Ele pretendem permanecer no acampamento até hoje e ocupação do canteiro de usinas não está descartada.

Os atingidos estão defendendo uma pauta nacional que inclui desde a garantia de pagamento de indenizações justas pelas terras banhadas pelas barragens até capital de crédito para subsistência na futura moradia. Bremm disse que esse crédito poderá ser de R$ 15 mil por família, com um subsídio de até 40% por parte do governo federal e três anos de carência para o pagamento. “Nós queremos a criação de uma linha de crédito específica para o investimento na propriedade”. No curto prazo, os integrantes do MAB também cobram a liberação de cestas básicas para auxílio na alimentação de quem ainda não pode produzir no campo, e intervenção do governo para coibir a liberação de licenças de instalação nas usinas onde as negociações com os atingidos ainda não evoluiu. No Oeste, o impasse inclui pelo menos três barragens, sendo que a de Quebra-queixo, entre Ipuaçu e São Domingos, é a mais problemática. Segundo o MAB, a usina já começou a produzir energia, apesar de as indenizações ainda não terem sido finalizadas.

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