A Comissão de Viação e Transportes promoveu ontem uma conferência para discutir o tema “Código de Trânsito Brasileiro – Seis Anos em Defesa da Vida”.

Segundo a pesquisadora em tráfego e médica Laís Guimarães Vieira, o padrão de saúde exigido para o motorista no Brasil ainda é muito baixo. Vieira lembra que a autorização para conduzir um veículo não é um dever, mas uma concessão, e, para isso, devem ser preenchidos requisitos.

Ela explicou que, até o Código começar a vigorar, dirigir era um direito do cidadão. Depois do Código, no entanto, a classe médica começou a fazer uma triagem para diminuir o número de pessoas despreparadas ao volante. “O trânsito é o espelho do que o indivíduo é. Cada um de nós dirige como vive. O indivíduo calmo é calmo na direção, o indivíduo agressivo é agressivo na direção”, afirmou.
Para a especialista, “nesses seis anos, houve ganhos, como o fato de uma grande parcela da população ter começado a ver o trânsito como risco de morte. As pessoas estão menos afoitas no trânsito”.

Do ponto de vista médico, de acordo com a pesquisadora, é preciso dar atenção especial aos motoristas portadores de cardiopatia, aos diabéticos, a pacientes com distúrbio visual e, principalmente, àqueles com distúrbios de comportamento.

Ela afirmou ainda que o Código retroagiu quando retirou a exigência do exame psicológico para a renovação da carteira de habilitação.

O engenheiro José Góes, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), apresentou na conferência uma pesquisa dos impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas aglomerações urbanas. Foi constatado que, em todo o País, o custo dos acidentes é de R$ 5,3 bilhões por ano. Segundo o engenheiro, dos proprietários de veículos entrevistados, 14% se envolveram em acidentes com vítimas, o que gerou 69% dos custos.

DEFESA DO CÓDIGO
O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) disse que a Câmara está criando uma cultura de defesa do cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro. “Nós melhoramos muito o comportamento das pessoas. Há melhor fiscalização, o nível de acidentes e tragédias de certa forma estabilizou, mas não estamos conformados com isso. Nosso país que registra anualmente cerca de 30 mil mortes no trânsito”, disse.

Beto Albuquerque afirmou que é preciso demonstrar às autoridades brasileiras e à sociedade que o Código de Trânsito é um código de comportamento, e só a atitude das pessoas é capaz de minimizar e melhorar e dignidade e a defesa da vida no trânsito.

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