A megaoperação da Receita Federal e da Polícia Federal contra o contrabando de mercadorias em São Paulo chegou às estradas. Ônibus usados por sacoleiros que vão se abastecer no Paraguai estão sendo parados nas estradas. Nesta madrugada, na região de Santa Cruz do Rio Pardo, a 335 km de São Paulo, a operação parou 50 ônibus com sacoleiros que trafegavam pela Rodovia João Batista Cabral Rennó. Foram apreendidos, além de cigarros, produtos de informática e equipamentos de som.

O valor das mercadorias apreendidas em todo o estado já beira R$ 10 milhões. Nesta quarta, foi lacrado um galpão em Guarulhos, na Grande São Paulo, com cerca de 300 toneladas de mercadorias contrabandeadas da China. Os brinquedos, bijuterias, cosméticos e artigos de decoração, papelaria e moda retidos no local foram avaliados em R$ 5 milhões.

A Polícia Federal acredita ter estourado um dos principais armazéns de abastecimento de camelôs e shoppings populares da região da Rua 25 de Março, no Centro da capital.

O curioso é que não há, até agora, qualquer evidência de que as mercadorias tenham ligação com o chinês Law Kin Chong, que já foi preso e costuma ser apontado pela polícia como o maior contrabandista do estado. Ou seja, há outros contrabandistas tão poderosos quanto ele ou ainda mais, que não estão em evidência.

Três sócios do galpão foram presos em flagrante na terça e indiciados por contrabando (importar mercadoria sem o pagamento de impostos). Porém, a PF não tem certeza de que os três são realmente os donos das mercadorias, que abasteciam também cidades do interior paulista.

De acordo com as investigações, o material vinha da China em navios. Para entrar no país com as mercadorias, os contrabandistas adulteravam os pesos dos contêineres, que eram importados legalmente. As notas fiscais indicavam que os contêineres levavam entre 50% e 60% do total de mercadorias. O restante entrava no país sem pagamento de impostos.

Ao chegar no galpão de 5,5 mil metros quadrados na última segunda-feira, a PF desvendou este esquema ao descobrir o peso real de um contêiner que era entregue por lá. Depois de chegar ao Porto de Santos, a mercadoria era levada em caminhões até Guarulhos, de onde era distribuída.

Muitos dos brinquedos encontrados tinham selos do Inmetro, que a PF acredita serem falsificados. Os policiais desconfiam que tudo no galpão seja falsificado. Porém, a perícia em todo o material só ficará pronta até o fim do ano.

Uma grande quantidade de documentos foi apreendida pela PF e pela Receita. Inúmeras empresas, inclusive de fora do estado, são citadas. Mas a PF acredita que a quadrilha de contrabandistas possa usar laranjas para dar saída legítima a sua mercadorias.