Melhorar as condições logísticas para escoamento da produção está entre as prioridades do governo federal. Nos próximos quatro anos, o Plano Plurianual prevê um aumento de 200 milhões de toneladas de produtos transportados no Brasil.

“A infra-estrutura do Brasil não está preparada para uma safra recorde”, reconhece o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que esteve ontem em Curitiba. Em palestra a aproximadamente quinhentos empresários, no Cietep, ele apresentou as diretrizes da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. Na ocasião, recebeu documento da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com propostas para ampliar as exportações do Estado.

“Os aumentos da produção e da exportação exigem melhorias nas condições de logística. Parte é responsabilidade do governo federal, parte dos Estados, parte dos municípios”, disse Furlan. “Essa melhoria depende da mobilização de todos os protagonistas”, completou, ressaltando que “nesse momento, os produtores estão pagando pela ineficiência do sistema”. Em reunião realizada na terça-feira passada, o presidente Lula pediu aos ministros que apresentassem sugestões para a retirada dos gargalos nas operações de transporte, armazenagem e embarque.

Para esta safra, foram adotadas medidas emergenciais. “São operações tapa-buraco nas regiões mais precárias, mas para a próxima safra, esperamos avançar com investimentos de maior monta nos acessos aos portos e ferrovias, construção de armazéns, serviços de melhoria de dragagem”, citou.

Furlan visitou o Porto de Paranaguá, onde se reuniu com a diretoria da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e com empresários. “O Porto de Paranaguá é estratégico, porque representa o maior escoadouro da safra de grãos. Recebi do presidente Lula a instrução para conversar com a diretoria e com os operadores e olhar fisicamente o andamento das operações e das obras de responsabilidade do governo federal”, explicou o ministro.

“Nossa preocupação é que o porto consiga operar com eficiência no auge da safra”. Segundo Furlan, “há uma preocupação de que a determinação do governo estadual em relação aos transgênicos torne o ritmo de escoamento da safra mais lento”. Após a visita ao Porto, está prevista também uma conversa com o governador Roberto Requião.

Propostas – No documento entregue ontem ao ministro, os empresários pedem: facilidades de acesso ao crédito, redução dos custos de exportação, desburocratização dos trâmites pela Receita Federal e a regulamentação da legislação, com registro específico para cada produto destinado ao exterior. Os industriais paranaenses pediram ainda incentivo aos Arranjos Produtivos Locais, para fortalecimento da pequena e média empresa, e o desenvolvimento de plataformas de negócios com mercados definidos e a capacitação técnica das embaixadas brasileiras.

“Todas estas questões estão dentro das preocupações do governo, assim como a melhoria da infra-estrutura logística, para que possamos diminuir o custo-Brasil”, afirmou o ministro. Para a Fiep, a interferência do governo federal pode alavancar as exportações paranaenses entre 10% e 50%, dependendo do setor. No ano passado, o Paraná exportou US$ 7,1 bilhões, 25,5% mais que em 2002. O superávit de US$ 3,6 bilhões (54,8% maior que o do ano anterior) foi o terceiro melhor do País. Neste ano, o governo federal projeta mais de US$ 80 bilhões em exportações. Furlan informou que o presidente Lula determinou um “mutirão de vistorias” das cargas destinadas ao exterior e o fim da multiplicidade de funções dos ministérios nas fiscalizações de produtos que são embarcados para o mercado externo. “Estamos analisando várias propostas para desonerar investimentos, criação de linhas de crédito e redução de custos operacionais nos portos e aeroportos”, declarou. Dos R$ 500 milhões disponibilizados em junho do ano passado pelo Pro-Infra, do BNDES, apenas R$ 200 milhões foram utilizados. Esse recurso é destinado a agricultores, com juros de 8,75% ao ano.

Superávit encosta em US$ 4 bilhões – A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 400 milhões na primeira semana de março (entre os dias 1 e 7) e, com isso, já acumula no ano saldo positivo de quase US$ 4 bilhões. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, o superávit da semana passada foi gerado por exportações de US$ 1,633 bilhão e importações de US$ 1,233 bilhão. No ano, o superávit já alcança US$ 3,970 bilhões, fruto de exportações de US$ 13,155 bilhões e importações de US$ 9,185 bilhões. No mesmo período do ano passado, o superávit acumulado era de US$ 2,528 bilhões, o que representa para este ano um crescimento de 57%.

Pela média, as vendas brasileiras ao exterior somaram US$ 299 milhões por dia útil do início de janeiro a 7 de março. Isso representa um crescimento de 27,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações de 2004, pela média diária, somaram US$ 209 milhões, com um aumento de 17,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Banco Central prevê que o superávit da balança comercial neste ano alcance US$ 20 bilhões. Um pouco mais otimista, o mercado financeiro estima um saldo médio positivo de US$ 22 bilhões.

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