Na estrada federal que corta São Paulo em direção ao sul, o número de acidentes aumentou, e o motivo foi a melhora das condições da rodovia depois da privatização. O pedágio começou a ser cobrado nesta segunda-feira (29) no trecho paulista. A tarifa é aplicada nos dois sentidos: para quem sai de São Paulo e para quem entra no estado. Carros de passeio pagam R$ 1,50.

O montador Douglas Rodrigues não gostou da cobrança. “Para a gente que vem para cá todo santo dia, com certeza, vai pesar”, reclama. Já o taxista Agrinaldo Fernandes Machado não acha tão ruim assim. “Se é para melhorar as estradas, é uma boa”, justifica.

A estrada, de fato, é outra: em 2007, placas estavam cobertas pelo mato. Hoje, o motorista consegue ver a sinalização. A mureta de proteção de uma ponte na divisa com o Paraná estava destruída e foi trocada.

Mais adiante, no entanto, outra ponte não tem proteção alguma. Há um ano, a reportagem flagrou balanças de caminhões desativadas. Elas deveriam verificar o peso da carga e continuam sem funcionar.

Na serra, perto de São Paulo, um motorista trocava o pneu no meio da pista em um trecho onde não há acostamento. “É difícil, a gente fica com medo das carretas que estão passando”, lamenta.

Dos buracos, pelo menos, o motorista está livre. Nem sinal da buraqueira que colocava a viagem em risco. O asfalto está liso, e a pista, bem sinalizada. Mesmo assim, a Policia Rodoviária Federal (PRF) vem registrando acidentes na rodovia. O problema é que, agora, segundo a policia, o maior problema é a imprudência de alguns motoristas que aproveitam o bom estado da rodovia para viajar acima da velocidade.

Em três meses de estrada boa, os acidentes aumentaram 12% em comparação ao mesmo período do ano passado. Para fazer o motorista diminuir a velocidade, serão instalados mais radares.

“O motorista fica mais negligente quando a rodovia fica mais confiável. Essa tendência a gente consegue atenuar com o tempo. Agora, de imediato, é difícil”, diz Eneo Palazzi, superintendente da concessionária que administra a rodovia.

A reportagem flagrou manobras arriscadas, ultrapassagem pela direita e retorno em plena rodovia. Outro carro andava pela contramão no acostamento e cruzou a Régis para alcançar um desvio. E os pedestres, simplesmente, ignoram as passarelas. “Eu não gosto de esperar, demora muito”, diz o serralheiro João de Maria.