O Detran deflagrou ontem mais uma operação de caça a ônibus piratas. Dos 38 veículos inspecionados na blitz, 26 (68,4% do total) foram apreendidos por estarem em situação irregular. Três deles tinham documentos roubados. Quatro dos 38 conseguiram fugir enquanto era feita a inspeção. Um dos fujões era um policial militar que, arrependido, entregou o veículo no depósito do Detran, em Caxias.

A operação contou com o apoio da Guarda Municipal, de fiscais da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e da PM. Por volta das 6h, o Detran montou quatro barreiras no Centro e imediações: na Avenida Presidente Vargas, em frente ao prédio dos Correios; na esquina das avenidas Francisco Bicalho e Pedro II; na Avenida Venezuela próximo à Praça Mauá; e na Avenida General Justo, em frente ao 3 Comando Aéreo Regional.

Veículo não tinha nem velocímetro

Durante a blitz, os 38 ônibus parados foram levados para o Aterro do Flamengo, onde foram inspecionados por vistoriadores do Detran e por fiscais da SMTU. Nove ônibus foram liberados por estarem com a documentação em dia e comprovarem que faziam o transporte por contrato com empresas e condomínios.

– Demos início a uma rotina de operações que não permitirá mais que veículos irregulares circulem impunemente. O risco não vai compensar a desobediência – disse o corregedor do Detran, coronel Carlos Fogaça, responsável pela operação.

A quantidade de veículos com documentos roubados surpreendeu o Detran. O motorista Sérgio de Vargas Soeiro, de 33 anos, dono do microônibus KOH-5743, confessou que comprou o documento de um atravessador, na Central do Brasil, por R$ 1.200. Sérgio alegou que não sabia que o documento era falso.

Carlos Antonio Santos, de 31 anos, motorista do ônibus KOE-7959, também foi flagrado com documento roubado. Aos fiscais do Detran ele contou que foi pessoalmente ao posto de vistoria de Irajá fazer a vistoria no ano passado. O órgão, porém, descobriu que o veículo não passa pela inspeção desde 2000. O espelho do documento, segundo o Detran, fazia parte de um lote roubado do posto de Vila Isabel.

A fiscalização também descobriu uma falsificação grosseira no documento do ônibus KUL-7866, de Nova Iguaçu. O veículo circulava com cópia falsa de um espelho roubado. Os três casos foram encaminhados para a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Além da falta de documentação, a maioria estava em mau estado, como o ônibus KSE-6306, que não tinha o velocímetro.

– A gente está acostumado a dirigir assim. Dá para ter mais ou menos a idéia da velocidade – tentou explicar o motorista Cortejan Roberto da Silva, de 23 anos.

Mais da metade da frota está com problemas

O percentual de ônibus piratas em situação irregular descoberto na blitz de ontem é semelhante ao que o Detran encontrou nas três operações anteriores, realizadas na Central do Brasil, na Praça Quinze e em Niterói, desde o mês passado. Dos 163 coletivos fiscalizados, 98 (60%) estavam irregulares. A blitz na Central, em 6 de fevereiro, terminou com 14 ônibus lacrados e mandados de volta para a garagem, para a correção de irregularidades; a da Praça Quinze, uma semana depois, levou à apreensão de 28; e a de sexta-feira passada, no Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói, resultou na apreendeu de 31, em apenas meia hora. Todos sem o licenciamento anual.

Mas, pelo menos neste último caso, os efeitos da fiscalização duraram pouco. Três dias depois da blitz, 23 dos 31 ônibus apreendidos foram liberados por decisão da Justiça de Niterói. Os ônibus voltaram às ruas e, pelo menos três deles, sem corrigir os problemas encontrados, como pára-brisa trincado, pneu careca e extintor vencido.

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