Minas Gerais foi o Estado que mais prendeu motoristas por dirigem embriagados durante a Operação Grau Zero da Polícia Rodoviária Federal. Dos 44 motoristas autuados entre 21h da última sexta-feira até 6h de domingo, 34 foram conduzidos às delegacias de trânsito por desrespeitar a lei nº 11.705/08, conhecida como Lei Seca, nas rodovias federais mineiras. Ou seja, a maioria terá processo administrativo aberto com risco de perder a carteira de habilitação. Em todo país, a Polícia Rodoviária Federal prendeu 189 condutores e autuou 255 durante a operação.

No ranking dos Estados em que houve mais abusos no período, o segundo lugar ficou com o Rio Grande do Sul, onde os agentes prenderam 29 motoristas. O Mato Grosso do Sul foi o terceiro colocado, com 17 prisões, seguido por Pernambuco, com 14 e Paraná, com 13. Contando o total de autuações, Minas novamente liderou o ranking. Rio Grande do Sul ficou mais uma vez em segundo com 37 multas expedidas, Santa Catarina ficou em terceiro com 23, Bahia com 21 e Paraná e Mato Grosso do Sul com 20 pessoas autuadas.

Desde que a lei entrou em vigor, no dia 20 de junho, um total de 63 motoristas foram autuados pela Polícia Rodoviária Federal de Minas Gerais por dirigirem sob a influência de álcool ou qualquer substância psicoativa que determine dependência. Destes, 53 foram conduzidos a uma delegacia de trânsito, porque ao fazerem o teste do bafômetro foi verificada quantidade igual ou superior a 0,3 miligramas de álcool por litro de ar expelido (6 dg de álcool por litro de sangue, o que equivale a dois copos de cerveja).

Segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF), nos dez primeiros dias de aplicação da lei, Minas Gerais foi o Estado com maior número de detenções. Em todo país, 369 motoristas foram multados, entre eles 296 foram detidos.

Flagra. A lei seca prevê tolerância zero para a combinação entre álcool e volante. Assim, o motorista que for flagrado dirigindo depois de ingerir bebida alcoólica estará sujeito a multa R$ 955, entre outras penalidades. O inspetor da PRF em Minas Gerais, Aristides Júnior, disse que apesar da polêmica em torno do fato de o motorista não ser obrigado a fazer o teste do bafômetro, protegido pelo artigo 5º da Constituição Federal, a lei tem sido aplicada com sucesso. “Eu participei na última sexta-feira da Operação Grau Zero, na BR- 040, e todos os motoristas abordados fizerem o teste do bafômetro. Apenas um inicialmente se recusou, citando o artigo, mas quando o informei que mesmo sem fazer o teste poderia ser penalizado, ele acabou cedendo”, contou.

De acordo com a nova lei, mesmo o condutor que se recusar a ter seu nível de embriaguez testado está sujeito às penalidades (multa e suspensão do direito de dirigir por 12 meses) e medidas administrativas (retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação).

Fiscalização
Mais 90 bafômetros para a PM

A Polícia Militar de Minas deve adquirir 90 novos bafômetros. Mesmo com a nova lei em vigor, a PM tem apenas quatro equipamentos para medição do consumo de álcool, mas nenhum deles está sendo utilizado por não estarem homologados no Departamento de Trânsito e Inmetro como exige a legislação.

De acordo com o major Edson Lourenço dos Santos, da Diretoria de Meio Ambiente e Trânsito, os bafômetros devem chegar em cerca de três meses. Os equipamentos vão custar cerca de R$ 570 mil e serão comprados com verba do orçamento do Estado. Segundo o capitão Gedir Rocha, assessor de imprensa da PM, os medidores serão utilizados tanto para fiscalizar as estradas estaduais e federais delegadas ao Estado, quanto dentro das cidades, inclusive a capital.

Segundo o tenente-coronel da PM Ricardo Calixto, apesar de não ter desenvolvido nenhuma operação especial para aplicação da Lei Seca em Belo Horizonte, a polícia “adotou como procedimento padrão na rotina de fiscalização dos policiais militares a verificação do estado de embriaguez dos motoristas.” “Isso está sendo feito por todos os agentes que atuam em diferentes operações, como as de pedágio, blitz e desarmamento”, afirmou. Mesmo sem o bafômetro, Calixto argumentou que a PM não deixou de tomar providências em relação a motoristas embriagados por falta do equipamento. “Contamos com outros mecanismos, como verificar o hálito e o estado geral do condutor”, garante o tenente-coronel. (AL)

Agricultor bêbado tenta subornar PM

Um agricultor de 33 anos foi preso em Natércia, no Sul de Minas, após dirigir embriagado e tentar subornar um policial. O veículo dele estava atrapalhando o trânsito e, ao ser abordado, a PM constatou que o motorista estava alcoolizado.

Ao ser questionado sobre a documentação do veículo e habilitação, o condutor entregou uma nota de R$ 20 ao policial, tentando suborná-lo.Preso em flagrante, ele foi levado ao hospital onde um exame clínico confirmou a embriaguez.