De um lado, a calmaria de um local com poucas ocorrências policiais. De outro, a necessidade de criar alternativa de acesso para acabar com os congestionamentos. Até o próximo mês, moradores do Lago Norte terão a oportunidade de avaliar esses dois argumentos e opinar sobre a construção de uma segunda ponte na península. O resultado do plebiscito, promovido pela prefeitura comunitária da região, será encaminhado ao governador Joaquim Roriz (PMDB).

A idéia da pesquisa de opinião partiu do prefeito da Península, Dionélio Morosini. Defensor da construção da ponte, ele quer saber se tem o aval dos vizinhos. A idéia recebeu o apoio da Administração Região do Lago Norte e até do governo do Distrito Federal. O secretário da Agência de Infra-Estrutura e Desenvolvimento Urbano, Tadeu Filippelli, afirma que o GDF atenderá o desejo da comunidade. “Como técnico, acredito que a ponte traria grandes benefícios ao trânsito no Lago Norte, mas a opinião dos moradores será respeitada.”

De acordo com Filippelli, caso os habitantes aprovem a obra, será feita uma reavaliação do projeto criado há seis anos por Oscar Niemeyer e, na época, rejeitado pelos moradores, em audiência pública. O arquiteto projetou uma ponte de uma faixa de rolamento, que sairia da avenida L4 norte, nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB), até a QI 10. E seguiria para o Setor de Mansões do Lago Norte.

O Lago Norte tem 30 mil habitantes. A dona-de-casa Rosângela Rocha, 43 anos, acorda às 6h para levar os seis filhos à escola, na Asa Sul. Mesmo com quatro carros na garagem de casa, na QI 4, é preciso um revezamento na família para que os todos cumpram as atividades diárias. “A ponte facilitaria minha vida.”

Há, porém, quem prefira enfrentar congestionamento do que um novo acesso ao Plano Piloto. A justificativa é a manutenção da segurança na área. “Um novo acesso pode facilitar a entrada de marginais no Lago Norte”, acredita o administrador João Marques, 51, sem se importar em gastar mais de meia hora no trajeto entre sua casa, na QL 9, e a Esplanada dos Ministérios, onde trabalha. De acordo com a 9ªDelegacia de Polícia, são registradas em média oito ocorrências por dia na península, entre acidentes de trânsito e crimes.

Para o administrador do Lago Norte, Erivaldo Mesquita, o medo do crescimento da violência não deve ser levado em consideração. “Se todos tiverem esse pensamento, as cidades deixam de crescer. No Lago Sul, a construção de três pontes não resultou em aumento da criminalidade.” De acordo com o prefeito Morosini, com a ocupação de 800 lotes ainda vagos na região, o tráfego na Ponte do Bragueto será agravado. “Não podemos ficar ilhados.”

Dados do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) apontam que 35 mil veículos trafegam pela Estrada Parque Península Norte (EPPN) todos os dias. Na Ponte do Bragueto, que recebe fluxo também de condomínios de Sobradinho e Planaltina, o número chega a 65 mil. “Qualquer acidente na área causa um grande transtorno. Do ponto de vista de sistema viário, a segunda ponte seria a solução para o acúmulo de tráfego no Bragueto”, avalia o diretor de Segurança no Trânsito do Detran, Antônio Bonfim.

A pesquisa foi iniciada na semana passada. A prefeitura comunitária enviou às 4.500 casas do Lago Norte um questionário. No formulário, o morador deve escrever o nome completo e o endereço. Quem preferir pode deixar a opinião nos três supermercados da península, equipados com urnas. O resultado deve ser divulgado no dia 10 de outubro.

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