A placa na cabeceira da ponte indica que a obra é do governo federal; traz o valor, quase R$ 1 milhão; a data do início dos serviços, 2 de janeiro 2001 e da conclusão, 30 de julho. Seis meses após o prazo estipulado para o término dos trabalhos, a Ponte Dois de Julho, sobre o Rio Paraguaçu, na BR-116, uma das rodovias mais movimentadas do Brasil, ainda está em processo de recuperação. Os motoristas que trafegam pela estrada, que liga o Nordeste e o Sul do país, reclamam do atraso nos trabalhos.

“Isso é um absurdo, um desrespeito, uma falta de vergonha”, esbraveja o motorista Herval Rossini Schroeder, de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Motorista profissional há mais de 10 anos, ele realiza viagens de seu Estado de origem para o Nordeste, no mínimo, uma vez por mês, em alguns fazendo o percurso em quatro oportunidades. “A recuperação da ponte vem se arrastando há muito tempo, prejudicando os motoristas, principalmente os que transportam cargas pesadas”, protesta Herval Rossini.

José Carlos Dias Pena, residente em Rio Verde, Goiás, trafega pela BR-116 há dois anos, transportando, principalmente, soja e milho. “Os trabalhos na recuperação da pista provocam filas imensas. Algumas vezes, ficamos esperando até quatro horas, atrasando a viagem, sem contar os dias em está interditada”, diz. Ele acrescenta que pelo volume do tráfego na BR-116, a restauração deveria ser rápida e não demorar mais de um ano. “Não há no Brasil nenhuma outra ponte que esteja em situação como esta. Pelo menos não conheço e eu viajo por todo o País”.

A recuperação da ponte, que já foi alvo de várias reportagens em A TARDE, está sob a responsabilidade da construtora Tecnosolo, de Salvador. Atualmente, os trabalhos estão sendo efetuados em duas frentes, na estrutura e vigas de suporte e no estrado, onde a pavimentação asfáltica já está concluída. Mas apenas uma pista está liberada, pois na outra está sendo feito reforço nas juntas entre as placas.

A equipe de A TARDE tentou entrevistar o engenheiro que acompanha os trabalhos, de pré-nome Paulo, quando ele se encontrava conversando com um operário que faz a sinalização com placas, orientando os motoristas, em uma das extremidades da ponte. Entretanto, ele negou fazer parte da equipe e disse que o engenheiro havia viajado para Feira de Santana.

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