Os trechos urbanos das rodovias são os alvos preferidos de motoristas e passageiros para o descarte irresponsável de todo tipo de lixo. Porém, se flagrado, o hábito pode causar prejuízo de R$ 85,13 com o pagamento da multa e render ainda quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por infração média, conforme o artigo 172 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Apesar do rastro de sujeira, o flagrante para aplicação da infração não é tão fácil.

De janeiro a junho deste ano, apenas dois condutores de veículos foram autuados no trecho entre Bauru e Agudos, na rodovia Marechal Rondon (SP-300). Justamente nesse ponto da estrada está o perímetro urbano de Bauru, uma das áreas onde os motoristas mais praticam esse hábito. Na área urbana, a rodovia concentra os maiores problemas com a destinação irregular do lixo e onde também se concentra o policiamento, porque recebe o tráfego mais intenso.

Para o Policiamento Rodoviário, o trecho urbano da Marechal Rondon é problemático em todos os aspectos, inclusive na questão dos dejetos abandonados. A zona urbana compreende num extremo o encontro da Rondon com a rodovia Bauru-Ipaussu, no quilômetro 336, e no outro, o cruzamento com a Bauru-Marília (SP-294), no quilômetro 348. “É o trecho mais crítico da Marechal Rondon”, garante o sargento Elias Lourenço Carneiro, do 1º Pelotão do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), com sede em Bauru.

Ele alerta que a pessoa que joga lixo pode causar acidentes graves. Ele lembra que uma inofensiva latinha de alumínio vazia tem potencial para fazer um grande estrago. “Uma lata de refrigerante atirada pela janela ganha velocidade e passa a ter impacto no asfalto. Se projetada na direção de um motociclista, pode até causar um ferimento. Além disso, as pessoas podem se assutar e fazer uma manobra brusca, originando um acidente”, ressalta. O policial frisa ainda o impacto visual e o prejuízo da poluição.

Comportamento é extensão social

O hábito de sujar a rodovia não é um comportamento isolado e se reflete na interação que as pessoas mantêm com elas mesmas e com o ambiente em que vivem. A psicóloga Ana Paula Elias de Toledo ressalta que certas atitudes na estrada são uma extensão do que as pessoas fazem em qualquer contexto social. “Você não muda sua personalidade dependendo do lugar em que está. No sentido de comportamento, você é igual em quaquer lugar”, avalia.

Para ela, se a pessoa chega a jogar um papel, tanto na rodovia quanto na cidade, é porque não cuida de sua casa e não se cuida. “E já não tem um ambiente em volta dela que seja saudável”, frisa.

A psicóloga entende que determinados hábitos se desenvolvem primeiro no âmbito familiar, em que se adquire referências culturais, de convivência social, valores e a importância de cuidar de tudo.

“Isso é cultural e é muito reflexo da educação. Se a criancinha vê o pai jogando, ela também vai jogar. Isso é uma visão que você tem dentro de sua casa. Da mesma forma que a mãe ensina a escovar os dentes, também ensina a não jogar papel na rua”, avalia.