Com a esperada quebra da safra da soja no Sul do País, a tendência é de queda do preço do frete agrícola no Rio Grande do Sul, avaliam contratadores, transportadoras e os próprios caminhoneiros. O gerente de Logística da Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí Ltda (Cotrijal), Ernildo Dalazen, conta que, em abril do ano passado, no pico da safra, os valores chegaram a R$ 80 a tonelada no trecho entre a cidade de Não-Me-Toque e o Porto de Rio Grande.

“Com a redução na safra no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Mato Grosso devem sobrar caminhões e o preço vai ficar entre R$ 65 e no máximo R$ 80”, diz Dallazen, que só não utiliza mais ferrovia pela falta da disponibilidade de vagões. Segundo ele, o frete ferroviário é normalmente entre 10% e 15% mais baixo em relação ao caminhão. Mas não é apenas a queda da safra que vai forçar o recuo do frete. “Todo mundo se preparou para ganhar dinheiro na safra. Com isso, as carretas comuns estão sendo substituídas por bitrens e rodotrens. Enquanto uma carreta comum tem capacidade para 30 t, um rodotren transporta 54 t e um bitren 40 t. Isso pressiona o preço para baixo”, analisa o gerente operacional da Transportes Rodoviários Giovanella Ltda, Rubens Fraborti, acrescentando que o aumento da armazenagem também contribui para a tendência. A Giovanella, de Estrela, na região do Vale do Taquari, utiliza 150 de sua frota de 500 caminhões para o transporte de grãos. A empresa tem um contrato com a Bunge.

Outro fator que vai colaborar para achatar o frete no Sul é o início da operação de um terminal de grãos da Cooperativa Central Gaúcha de Leite (CCGL) no Rio Taquari, em Taquari (RS). O presidente dos terminais Tergrasa e Termasa da CCGL no Porto de Rio Grande, Caio Cezar Vianna, diz que a meta é escoar por via fluvial 1 milhão de t de soja, evitando cerca de 400 quilômetros que teriam de ser feitos por estradas. A CCGL, controlada por 19 cooperativas gaúchas, investiu R$ 1 milhão no terminal do rio Taquari, que deve ser inaugurado em duas semanas.

Vianna entende que o frete poderia ser ainda menor. “Temos cerca de 40 quilômetros da BR-392 entre Caçapava do Sul e Santana da Boa Vista que estão intransitáveis. E é por ela que passa 70% da soja que é escoada por rodovias até o Porto de Rio Grande. Com isso, os caminhoneiros estão fazendo um caminho alternativo, com 90 quilômetros a mais”, diz.

“Só o frete não sobe. Do ano passado até agora cada pneu passou de R$ 700 para R$ 1,2 mil”, lembra José Veronez, diretor do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários (Sindicam).

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