Montanhas de cimento, areia e pedra. Pavimentadoras de concreto importadas e um verdadeiro batalhão de homens ajudam a construir desde 2005 o que poderá abrir novos caminhos à economia do Rio Grande do Norte: a duplicação da BR 101. A obra envolve mais de 398km entre os territórios potiguar, paraibano e pernambucano. Um importante corredor de integração dos três estados, que, mais acessível, promete impactos grandiosos como, no caso do RN, impulso ao turismo de fronteira, à redução de custos para importar matéria-prima, exportar a produção e para captar novos investimentos.

A duplicação da BR 101 é hoje a maior obra em extensão nacional conduzida pelo governo federal. Virou um dos principais símbolos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. É também um projeto que envolve números robustos por onde passa. Só no Rio Grande do Norte atinge uma extensão de 81,4km e deverá consumir mais de R$ 342 milhões em investimentos. Nos dois lotes existentes no estado, a previsão é de que se chegue a 1,5 milhão de metros cúbicos de terraplanagem e que se consuma 32 mil metros cúbicos de concreto compactado com rolo, 64 mil metros cúbicos de placas de concreto e 101 mil toneladas de asfalto.

Entre percalços e atrasos previstos no cronograma o projeto deverá estar concluído até setembro de 2009 no RN, onde cerca de 47% da obra foram executados, mas a previsão inicial era de que os trechos começassem a ser liberados ainda este ano. O inverno atípico que provocou inundações e perdas de produção por boa parte do interior mexeu, no entanto, com o cronograma, mas não foi o único responsável pelo atraso. O avanço da obra também esbarrou em problemas ligados às desapropriações e à liberação de licenças ambientais.

‘‘Hoje muita gente deixa de viajar para não enfrentar a estrada. Primeiro por conta do estado de conservação, depois por causa das intervenções na pista em função das obras’’, frisa o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Murilo Felinto, com perspectivas mais otimistas, entretanto, para o futuro. Segundo ele, o impacto para o turismo, com o término da duplicação, será imediato. ‘‘Vai ser um boom para o setor, com a intensificação do turismo de fronteira’’, estima.

A expectativa é que a melhoria do acesso estimule a vinda de mais turistas da Paraíba e de Pernambuco, estados que, em 2007, responderam, juntos, pela emissão de 28,6% dos visitantes ‘‘nacionais’’ que desembarcaram no Aeroporto Augusto Severo. Apenas Pernambuco mandou 17% de todos os que chegaram, foi o destino brasileiro que mais enviou turistas ao RN durante todo o ano. Felinto não estima em quanto poderá aumentar essa participação, mas diz que, apesar de dar impulso, a duplicação da BR deve vir acompanhada de divulgação do destino, para que surta o efeito esperado sobre o setor. ‘‘Quanto mais turistas chegarem aqui, mais movimentada será a economia’’, justifica.

Não é só sobre o turismo, porém, que deverão se refletir os ganhos. Pelas contas do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Rosado, o número de veículos circulando pela via deverá dobrar nos dois anos seguintes à concretização da obra. Ele estima que os resultados diretos do movimento atinjam primeiro e mais fortemente o turismo, mas que cheguem também a valorizar as áreas que fazem margem à rodovia e a ampliar mercado para, por exemplo, postos de gasolina, restaurantes, vendedores de frutas e artesanato. ‘‘São setores que vão ganhar mais oportunidades de trabalho na esteira da BR’’, projeta ele, acrescentando que a facilidade de logística esperada com o projeto também deverá servir de argumento para que o governo atraia novas empresas para território potiguar e, ainda, que ajude a reduzir custos para quem importa matérias-primas via porto de Suape (PE) e a trazer vantagens aos exportadores que vendem por lá e precisam enfrentar quilômetros e mais quilômetros e frete pesado, até embarcar os produtos.

Segundo o Exército, 47% da obra de duplicação no RN foi concluída. Em Pernambuco, avançou menos, apenas 37%. Na Paraíba, chega a 52% até agora.

*A repórter viajou à convite da ABCP.