Redução na renda do produtor rural, diminuição do número de turistas no Litoral, aumento do preço final ao consumidor. Essas são apenas algumas das conseqüências do impacto do reajuste na tarifa do pedágio.

Segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná – Ocepar -, após o último reajuste a perda para o produtor de milho que cultiva o grão em Maringá e escoa a produção pelo Porto de Paranaguá será de 21%. Das 12,54 milhões de toneladas de soja e milho exportadas por Paranaguá em 2003, 68% foram transportadas por caminhão.

O caminhoneiro que sair de Maringá com destino ao porto, com um caminhão de cinco eixos, transportando 27 toneladas de grãos, passará por 14 praças de pedágio (ida e volta) e gastará R$ 292. Isso eqüivale a 19,47 sacas de milho ou ainda 7,30 sacas de soja. Se a origem da carga for Cascavel, serão gastos apenas com pedágio R$ 307. E numa distância maior, como Foz do Iguaçu, o caminhoneiro terá deixado R$ 383 para as concessionárias, ou seja, 25,54 sacas de milho. Números finais mostraram que o montante gasto para o transporte da safra paranaense é de R$ 60,69 milhões.

De acordo com a Ocepar, a maior parte da safra paranaense é originada nas regiões mais distantes do porto e, assim, recebe um impacto maior dos custos do pedágio.

O setor agropecuário, segundo a Organização, “é o mais penalizado, pois o valor específico dos produtos é baixo, comparativamente com o setor industrial. Em conseqüência, o custo do pedágio representa um alto percentual do valor do produto”. A malha rodoviária do Paraná é de 40,2 mil km, somando-se rodovias estaduais e municipais, além de 2,5 mil km de ferrovias. O Anel de Integração, que faz parte do programa de concessão de rodovias, tem 26 praças de pedágio.

A conclusão final do levantamento feito pela Ocepar é de que a competitividade do agronegócio paranaense encontra-se em risco frente aos custos impostos pelo pedágio no transporte da safra. Apesar do Estado contribuir com cerca de 25% da produção brasileira de grãos, e ficar apenas atrás do Mato Grosso, a economia pode não suportar o último reajuste feito pelas concessionárias, alertou a Organização.

ABCR contesta – O Diretor Regional da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias) João Chiminazzo, contestou as informações da Ocepar. “Esquecem os benefícios proporcionados pela qualidade das rodovias pertencentes ao Anel da Integração, que trazem até 38% de redução nos custos em peças, pneus, combustível e tempo de viagem”, diz ele. Chiminazzo lembra que se as rodovias hoje pedagiadas estivessem como há oito anos, os produtores teriam perdas consideráveis.

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