Pegar a estrada para fazer compras na Feira da Sulanca em Caruaru, no Agreste pernambucano, é uma alternativa para quem quer economizar. Gente que viaja de noite para comprar mais barato, como dona Márcia Morais, faz o sacrifício pelo preço. “É um sofrimento, porque a gente dorme, volta cansado, mas vale a pena. É tudo muito mais em conta”.

Mas, para fazer economia, é preciso enfrentar o risco de ser assaltado na estrada. Um crime que, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), já foi registrado 38 vezes só este ano nas rodovias federais do Estado.

Quem vai às compras em Caruaru tem ainda mais motivo para ficar preocupado. Os bandidos sabem que eles carregam dinheiro vivo: a única forma de pagamento na feira. O vendedor Fernando Batista da Silva, que viaja toda semana já passou por maus momentos. “Eles deram vários tiros e mandaram o motorista encostar. O motorista encostou e eles assaltaram”.

Diante de crimes como este, a estratégia da polícia foi reunir os grupos de excursão. Para evitar os assaltos, a viagem até Caruaru não prossegue sem uma parada aqui no posto da PRF. É o ponto de encontro de ônibus que vêm de várias cidades e até de outros estados. Daqui em diante, os viajantes só pegam a BR-232 em comboio e com escolta policial.

Aos poucos o comboio vai se formando com vans e ônibus. Quem chegou primeiro espera com paciência o horário de partida. Às 22h30 todos saem em conjunto. A polícia segue no início e no final da fila pelo trajeto de 130 km até Caruaru.

“A partir do momento em que nós adotamos o serviço de escolta de comboios, nós não registramos mais ocorrências de assaltos, exceto com aqueles que insistem em sair desgarrados”, afirmou o assessor da PRF, Éder Romel.

Os passageiros acostumados com a viagem dizem que a estratégia tem dado bons resultados. “A gente só sai com a escolta. Do contrário, o que acontece? A gente não passa. A escolta é uma segurança pra gente”, diz a dona-de-casa Edjane Conceição.

Para o assessor da PRF, o problema dos assaltos nas rodovias está longe de acabar. “Devido ao alto índice de criminalidade não só nos grandes centros urbanos, mas também no interior, qualquer ponto que não seja policiado por um breve momento seja alvo de assaltos”.