Faltam 14 quilômetros para o Acre ganhar um porto fluvial

O governador Jorge Viana, onze deputados estaduais, vários secretários de Estado e setores da imprensa acreana visitaram na manhã de ontem o trecho em obras da BR-317, no sentido Rio Branco/Boca do Acre. A inspeção-surpresa constatou que as obras estão a todo vapor. Falta a terraplanagem de apenas 14,5 dos 57 quilômetros que comporta a rodovia. O Deracre e a empresa responsável pelo trecho, a Tercam, estimam que a compactação do solo esteja pronta em 30 dias.

A ligação do Acre com o poderoso Porto Fluvial do Purus, localizado a 200 quilômetros de Rio Branco, em Boca do Acre (AM), dará novo gás na economia, barateando fretes e o transporte de vários produtos da cesta básica. Jorge Viana disse que a idéia da equipe de governo é que a estrada ajude a melhorar o IDH nos municípios do Vale do Acre. De acordo com o diretor do Deracre, Sérgio Nakamura, o asfaltamento dos 51 quilômetros deve estar completo até o primeiro bimestre de 2004.

“O único impedimento para asfaltarmos neste ano são as chuvas e é por causa da proximidade delas que estamos acelerando a compactação, além de criar uma capa especial de proteção do solo em todo o trecho, para impedir a erosão dos quilômetros já compactados”, disse Nakamura.

A obra de pavimentação do trecho, que inclui construção de meio-fios, iluminação e sinalização, está orçada em pouco mais de R$ 30 milhões. Para o governador Jorge Viana, a pavimentação deve causar um salto nas economias acreana e amazonense, permitindo um largo intercâmbio entre a produção rural dos dois Estados.

“É uma obra cardeal para o nosso desenvolvimento, projetada de acordo com um cronograma feito com muito carinho por toda a equipe de governo. Essa estrada e o anel viário, que deve ser concluído ano que vem e a ligação com o Pacífico, criarão um tripé de progresso sustentável sem precedentes na nossa história”, disse Jorge Viana, visivelmente emocionado.

TCU errou em cálculos

De acordo com o governador e assessores, a análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que constatou superfaturamento de preços em vários itens de prestação de serviços na construção do trecho, estaria equivocada. A explicação é simples: a compra de qualquer produto no Acre – da licitação pública à feira da dona de casa ganha sobrepreço automaticamente, devido ao frete.

“Devemos lembrar que estamos no Acre e temos uma realidade totalmente diferente de outros Estados. Ironicamente, a construção analisada pelo TCE, a rodovia entre Rio Branco e Boca do Acre, visa justamente diminuir essa discrepância de preços e tenta suavizar o frete de produtos que vêm de outros Estados. Além disso, não temos várias matérias-primas e precisamos comprar tudo de outros Estados. Tudo isso acaba encarecendo o preço final”, disse o diretor do Deracre, Sérgio Nakamura.

Para desfazer o mal-entendido, o governo acreano enviou ao TCU as planilhas das obras mostrando quando, como e principalmente de onde foram compradas várias matérias-primas (cascalho, vergalhões e produtos químicos) necessários para a construção da rodovia. O governo espera que o laudo esclareça a confusão.

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