O estado de São Paulo cobra os pedágios mais caros do país. Apenas na Via Lagos, no Rio (RJ-124), que leva a paraísos como Búzios e Cabo Frio, o motorista desembolsa por quilômetro rodado valores tão altos quanto os cobrados nas estradas paulistas.

Na RJ-124, para piorar, o pedágio fica mais caro nos fins de semana, quando o carioca viaja rumo à região dos Lagos. O valor por quilômetro rodado, que de segunda a sexta-feira custa R$ 0,1483, passa a R$ 0,2266 aos sábados e domingos.

Em São Paulo, os preços não mudam de acordo com a demanda do dia, mas percorrer alguns trechos de estradas administradas pela iniciativa privada custa caro. É o caso do trecho da Rodovia Castello Branco que vai de São Paulo até a cidade de São Roque, a 55 km. Para percorrer os 40,3 km da rodovia, o motorista paga dois pedágios, num total de R$ 17,10 – R$ 6,30 na praça de Osasco (km 18) e R$ 10,80 na praça de Itapevi (km 33). O valor corresponde a um gasto de R$ 0,4243 por quilômetro rodado. Ou seja, quase cinqüenta centavos.

Na volta, a praça de pedágio fica em Barueri, no km 20, e custa mais R$ 6,30. Em uma viagem de ida e volta de São Paulo a São Roque (80,6 km rodados na estrada), o desembolso com pedágio alcança R$ 23,40, o que equivale a R$ 0,2903 por quilômetro.

Os preços do pedágio no trecho inicial da Castello são tão altos que até hoje, por conta de vários protestos de moradores das cidades envolvidas, a concessionária CCR ainda mantêm como alternativa uma pista sem pedágio. Para quem quer economizar, o problema fica por conta dos constantes engarrafamentos na chegada ou saída de São Paulo. A CCR é também a responsável pela concessão da Via Lagos.

Desembolso mais alto em trechos de maior tráfego

Nem sempre o motorista se dá conta do preço que paga para ir e vir pelas estradas paulistas. Raramente se faz a conta do valor pago por quilômetro efetivamente percorrido. A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) trabalha com valores médios, que levam em conta o percurso total das rodovias sob administração privada. Por esta conta, paga-se em São Paulo R$ 0,120347 por quilômetro em rodovias com pistas duplas e R$ 0,085962 em pistas simples, além de R$ 0,137538 nos sistemas (Anchieta-Imigrantes ou Castello Branco-Raposo Tavares, por exemplo).

Ao fazer a conta pelo tamanho total da rodovia, parte dos motoristas acaba prejudicada. Veja-se o exemplo dos usuários das rodovias Imigrantes e Anchieta, que levam à Baixada Santista e litoral sul paulista.

A concessionária Ecovias mantém uma única praça de pedágio, que cobra apenas na ida ao litoral, ainda no trecho do Planalto (km 32) da Imigrantes. O preço, porém, é salgado: R$ 17.

Se o destino do usuário for a Praia Grande ele terá desembolsado R$ 0,2906 para chegar até o município da Baixada Santista pela mesma Imigrantes, percorrendo os 58,5 km da rodovia, que começa no km 11,5 e termina no km 70. Como na volta não há cobrança, a viagem de ida e volta custa R$ 0,1453 por quilômetro rodado na rodovia.

Os mesmos R$ 17 são pagos também por quem percorre um trajeto maior, de 129 km até Peruíbe. Neste trajeto, porém, o motorista ainda utiliza a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, que tem apenas uma parte administrada pela Ecovias e o restante pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), onde não há pedágio.

Normalmente, os pedágios com tarifas mais altas são fincados em trechos mais movimentados das estradas.

Não é diferente o que ocorre na Rodovia dos Bandeirantes, considerada a melhor do país. Numa viagem de 94 quilômetros entre São Paulo e Campinas, o motorista roda 73,64 km pela Bandeirantes (a rodovia começa no km 13,360 e o acesso para Campinas está no km 87) e paga R$ 11,80. São duas praças de pedágio no trecho, com tarifa de R$ 5,90 cobrada duas vezes, na ida e na volta.

Se considerado o valor por quilômetro rodado na estrada, o desembolso terá sido de R$ 0,1602/km (apenas na ida). É justamente no trecho entre São Paulo em Campinas que o tráfego é mais intenso e o motorista enfrenta congestionamentos e lentidão.

Quem percorre outros trechos da mesma rodovia paga menos por quilômetro rodado. O motorista que sai de Campinas (km 87) e segue até Limeira (acesso pelo km 155) percorre 68 quilômetros e paga apenas um pedágio, o de Sumaré, no km 115. O valor, de R$ 5,20, se dividido pela distância percorrida, corresponde a R$ 0,0765 por quilômetro. É menos da metade da quantia paga por quilômetro rodado no trecho inicial da rodovia.

Pedágios mais baratos

As rodovias do Sul do país têm pedágios mais baratos e são de boa qualidade. Paga-se por quilômetro rodado R$ 0,1181 no trecho gaúcho da BR-386 (Lajeado-Arroio Tatim), administrado pela Sulvias (Univias); e R$ 0,1354 na BR-277 (Curitiba-Paranaguá), sob concessão da EcoRodovias.

Assim como na Via Lagos, os baianos também pagam mais caro para desfrutar praias diferenciadas nos fins se semana. Os usuários da BA-099 (Concessionária Litoral Norte) desembolsam R$ 0,0212 por quilômetro para ir de Lauro de Freitas, na Grande Salvador, até a divisa com Sergipe nos dias úteis – um trecho de 217 quilômetros. Nos fins de semana, o valor do único pedágio cobrado no trecho dispara de R$ 4,60 para R$ 6,90 – 50% mais caro. A tarifa por quilômetro rodado passa a ser, então, R$ 0,0318. Ainda assim é considerada barata na comparação com São Paulo, por exemplo.

No Espírito Santo, quem utiliza a ES-060 (Vitória-Guarapari) paga dois pedágios; cujos valores são de R$ 1,60 e R$ 6,10, cobrados pela concessionária Rodosol. Como a rodovia, de ponta a ponta, tem 67,7 km, o motorista desembolsa R$ 0,1137 por quilômetro rodado.

Federais com preços menores

A diferença de preços não ocorre apenas entre estados. Há diferenças entre as concessões estaduais e as do governo federal. Na Via Dutra, o motorista que vai de São Paulo ao Rio de Janeiro passa por 5 praças de pedágio e desembolsa R$ 33,40. São 402,2 quilômetros. O preço médio por km percorrido fica em R$ 0,083/km.

A Régis Bittencourt, recém-privatizada, deve ganhar nos próximos meses cinco cabines de pedágio, com tarifa aproximada de R$ 1,40 cada (estimativa). Se o motorista decidir trocar o conforto da Imigrantes para seguir por ela até Peruíbe – trajeto que mistura pista simples e dupla e tem muitos caminhões – pagará cerca de R$ 3,00 para ir e voltar à capital paulista.

Nesse trecho haverá apenas uma praça de pedágio, a ser instalada em Itapecerica da Serra. Até a saída para a cidade do litoral paulista, no km 116, o motorista que sai de São Paulo percorre 112 km, o que daria uma média de R$ 0,0125/ km.

Em boletim divulgado em julho passado, a Artesp explica que “a tarifa quilométrica permite fracionar o pedágio das rodovias em diversas praças, o que torna a cobrança mais justa, pois os usuários das rodovias pagam valores próximos ao percurso efetivamente utilizado”.

Em recente reportagem, o site do Globo mencionou que o pedágio da Imigrantes era o mais caro do estado. O motorista paga R$ 17 na cabine. A Ecovias encaminhou esclarecimento e informou que “não existem pedágios mais caros ou mais baratos nas rodovias sob concessão em São Paulo”. A concessionária explicou que o programa de concessões de São Paulo “adota a Base Tarifária Quilométrica (BTQ) para estabelecer um valor igualitário de tarifa para todas as concessionárias. Em sistemas rodoviários, o valor da BTQ é de R$ 0,137538 para cada quilômetro percorrido” e, no caso do sistema Anchieta – Imigrantes, o trecho de cobertura do pedágio (TCP) é de 62,120 km, que separam a capital de Santos.

2 COMENTÁRIOS

  1. A algum tempo havia um projeto piloto, para cobrança fracionada dos trechos percorridos, em andamento em uma Rodovia na região de campinas? Como anda este piloto? No período eleitoral o Governador em campanha, no Município de Santana de Parnaíba fez uma promessa de se tornar a cobrança por KM rodado, uma vez que os munícipes são prejudicados diarimente ao trafegar para ir ao trabalho e escola, pagando o exorbitante pedágio na divisa entre Itapevi e Santana de Parnaíba!

    • Prezado José Silva,

      Com relação a esse assunto, sugerimos visitar o site da Artesp (www.artesp.sp.gov.br) no qual o senhor pode ficar inteirado sobre o pedágio ponto a ponto, que é praticado em algumas rodovias paulistas, como por exemplo nas SP-360, na região de Jundiaí, na SP-332, na região de Campinas e na SP-340, na região de Jaguariúna.

      Atenciosamente,
      Equipe Estradas

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