Estudos preliminares do SOS Estradas, programa de redução de acidentes, indicam que os ônibus rodoviários de passageiros são verdadeiros vilões das rodovias federais e estão envolvidos em três vezes mais acidentes que os caminhões, considerando a frota existente.

Segundo o coordenador do SOS Estradas, Alberto Rizotto, o estudo desfaz o mito de que são caminhoneiros os grandes responsáveis pelos acidentes nas estradas. Segundo dados das entidades do setor, existem 800 mil caminhões circulando regularmente nas rodovias e 50 mil ônibus, ou seja, há 16 vezes mais caminhões que ônibus nas estradas.

Entretanto, em cada 10 mil caminhões da frota circulante nas rodovias federais ocorrem 372 acidentes por ano e são 1001 para cada 10 mil ônibus. Portanto, ocorrem três acidentes por dia com ônibus contra um com caminhões.

“É natural que nas estatísticas apareçam mais caminhões, mas quando consideramos a frota pelo tipo de veículo e o número de acidentes, constatamos outra realidade. Além disso, o número de vítimas nas ocorrências com ônibus é muito maior. Num caminhão a média de ocupantes é inferior a duas pessoas, enquanto os ônibus sempre trafegam com mais de trinta”, diz Rizotto.

Para o coordenador do SOS Estradas, as estatísticas oficiais deveriam levar em consideração o número de vítimas por tipo de veículo. Atualmente, este dado não aparece . “Existem existam mais vítimas nos ônibus pela capacidade de transporte, mas as empresas estão se envolvendo em acidentes cada vez mais graves pelo excesso de velocidade. Por incrível que pareça, são ônibus os veículos com maior índice de desrespeito aos limites de velocidade”, comenta.

CORRERIA- O SOS Estradas também constatou que muitos motoristas de ônibus são pressionados a fazer a viagem cada vez em menos tempo e estão andando muito acima do limite de 80km/h, em vigor na maioria das rodovias federais. Rizotto lembra que alguns motoristas ainda têm que cumprir uma carga excessiva de trabalho, “que provoca fadiga e desatenção de profissionais que muitas vezes transportam mais de 60 passageiros a bordo”.

Na avaliação do SOS Estradas, a Polícia Rodoviária Federal deve ficar mais atenta aos excessos, embora os patrulheiros reconheçam ser difícil flagrar os ônibus, “já que a legislação limita a localização dos radares”. Rizotto afirma que muitos motoristas sabem onde estão os radares, conhecem bem o trecho e avisam aos colegas sempre que há fiscalização.

O estudo elaborado pelo SOS Estradas estará pronto ao final de março e faz parte da celebração do Dia Mundial da Saúde, da Organização Mundial da Saúde, cujo tema escolhido para o evento, que acontecerá no próximo dia 7 de abril, será os acidentes de trânsito.

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui