Um dia após o juiz Eduardo Freitas Paranhos Filho ter sido autuado por dirigir alcoolizado, a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) realizou ontem à noite blitzen em quatro pontos de Salvador – Imbuí, Parque da Cidade, Rio Vermelho e Largo de Roma – para cumprir a Lei Federal 11.705, que impede que motoristas dirijam após consumir bebida alcoólica. Em mais de uma hora de fiscalização, apenas o motociclista Alessandro da Silva Souza, 34 anos, foi notificado com teor alcoólico de 1,8 mg/l.

As operações foram iniciadas com mais de uma hora de atraso em função da ausência da Polícia Militar. Agentes de trânsito foram informados pelos coordenadores da SET de que PMs dariam segurança às operações, mas o assessor de imprensa da PM, capitão Marcelo Pita, disse que não tinha informação sobre a solicitação da SET e, por isso não sabia informar o motivo da ausência.

O assessor-chefe da SET, Laurentino Melo, que acompanhou a operação de perto, comemorou o baixo índice de motoristas autuados e atribuiu o êxito a um trabalho forte de divulgação. “Nosso objetivo não é punir, mas fazer com que a lei seja respeitada”, disse. As blitzen contaram com 60 agentes de trânsito e quatro supervisores.

Foram disponibilizados 2.500 bafômetros descartáveis e 12 etilômetros – aparelho que faz a medição digital do grau de teor alcoólico.
O “efeito blitz” esvaziou as barracas do Imbuí. “Muita gente saiu daqui quando a SET começou a armar a operação”, disse um comerciante. Alheios a toda a movimentação, um grupo de sete amigos bebia tranqüilamente a metros da blitz. “Eles moram aqui perto”, justificou o professor Sílvio Cerqueira, o único da mesa que não estava bebendo. “Mas quando chegar na minha rua vou tomar todas”, disse ele, morador do bairro da Plataforma.

No Parque da Cidade, o primeiro motorista a se parado foi o procurador do Estado, Antonio Ernesto, que foi liberado depois que o teste do bafômetro não indicou presença de álcool. “Estava dando aula“, justificou ele, que também é professor universitário.

Ele considerou a Lei 11.705 uma “medida de impacto”, mas concorda. “É preciso fazer disso uma cultura porque o Brasil tem um dos maiores índices de acidentes de trânsito ocasionados pelo consumo de álcool“, argumentou. O oftalmologista Cristiano Pinheiro, 35, ciente de que havia fiscalização pela cidade, entregou as chaves do carro à namorada depois de tomar umas cervejas.

Mas ele não contava com o fato que ela estava sem a carteira de habilitação. “Menos mal, porque a multa é menor”, disse ele.