“Aumentou o preço do dólar e do petróleo. Agora estão segurando gasolina e daqui a pouco liberam, mas também deve chegar mais cara ” – Florisvaldo Evangelista da Silva, vendedor autônomo

Problemas com o abastecimento de gasolina chegaram aos postos do interior do estado e a expectativa é de que a falta do combustível ainda possa ser percebida pelos mineiros até o início de 2009. “A representante da distribuidora que me atende já me alertou que vou ficar sem gasolina no feriado do réveillon”, afirmou João Batista da Silva, gerente administrativo do Trevão e do Auto Posto Mais de Lavras, no Sul de Minas. Ele conta que no Natal já sofreu com a falta do combustível e observa que a distribuidora ainda está racionalizando as entregas. Na segunda-feira mesmo ele pediu 10 mil litros e só recebeu 5 mil. “Nosso prejuízo é grande e é tanto financeiro quanto de imagem”, lamenta o gerente dos dois postos, que são da bandeira BR.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Sérgio de Mattos, também recebeu reclamações de associados de várias outras regiões do estado. “Já ligaram de Itaúna, Ponte Nova, Divinópolis. A distribuidora só entrega a metade do volume solicitado. Isso, quando entrega”, diz. O problema maior é observado nos postos da distribuidora da própria Petrobras, a BR. E o pior, na opinião dos revendedores, é que não deram uma previsão exata para a solução definitiva do problema. “Esperamos que a distribuição seja normalizada o mais rapidamente possível”, diz Mattos.

O proprietário do posto Touro Sentado, em Piedade de Ponte Nova, na Zona da Mata, entre Ponte Nova e Rio Casca, Cochise Saltarelli, trabalha com bandeira branca mas também já conta que a situação está insustentável. “Cansei de esperar pela distribuição da BR. Sou obrigado a negociar com outras empresas e tenho de comprar gasolina até R$ 0,06 mais cara e sem nenhum prazo para pagamento”, conta. Como seu posto é em uma rodovia de acesso para as praias do Espírito Santo, seu movimento chega a aumentar até 30%, nessa época do ano. “Por enquanto estou segurando os preços, mas não sei até quando vou agüentar”, diz. “Todo mundo tá reclamando”, reforça.

“Não tenho gasolina nem se fosse para fazer remédio”, afirmou o gerente do Posto BH, que fica na Avenida dos Andradas, na Região Central de BH, Guilherme Costa. Na segunda-feira, no fim do dia, ele não tinha “nem mesmo uma gota”. “Estamos zerados e também somos vítimas da situação”, ponderou. O vendedor autônomo Florisvaldo Evangelista da Silva, de 56 anos, foi ao posto e não conseguiu abastecer seu Uno. “É a segunda vez que isso ocorre esta semana, que chego na bomba e não tem gasolina”, conta. Para ele, o problema está na crise. “Aumentou o preço do dólar e do petróleo. Agora estão segurando gasolina e daqui a pouco liberam, mas também deve chegar mais cara”, avalia. A aposentada Sônia Maria Cordeiro, de 59 anos, também se assustou com a falta do combustível. “O problema é sério. Ainda bem que não vou viajar nesses dias e tenho a sorte de rodar pouco de carro”, observa.

A Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobras, responsável por atender os postos de Belo Horizonte, informou apenas que houve uma demanda muito maior que o previsto neste fim de ano. Por isso, houve a necessidade de remanejar o atendimento de parte do mercado mineiro para uma refinaria de São Paulo. A expectativa da Regap é de que o atendimento seja normalizado até depois de amanhã. Já o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Mendes Vaz, afirma que “houve um problema” na Regap, que comprometeu o abastecimento em Minas. Não explicou, porém, que tipo de problema e afirmou que a situação já está sendo normalizada.

No Posto Paulistinha, que fica na região Noroeste da capital, o gerente João Caetano, ficou sem gasolina do fim de sexta-feira até segunda-feira pela manhã, quando recebeu 10 mil litros dos 15 mil que havia pedido para a BR. Ele calcula que tenha deixado de vender 40 mil litros. “O pior é que o cliente acaba indo para o concorrente”, lembra.