A sonhada ligação entre o Brasil e a Bolívia por meio das cidades de Brasiléia e Cobija, na região do Alto Acre está mais perto de ser concretizada. Ontem à tarde, autoridades brasileiras e bolivianas comemoram o momento em que as duas partes da ponte foram unidas e agora já podem se programar para a inauguração definitiva, prevista para no máximo o mês de agosto. Ligar as duas partes da ponte significa que a parte mais difícil da obra está concluída, comemorou o governador Jorge Viana, que passou a tarde de ontem inspecionando a execução dos trabalhos.
“Hoje é um dia importante porque estamos pondo fim ao isolamento e tornando comum uma fronteira em que as cidades são a continuidade da outra”, afirmou o governador Jorge Viana, ao lado das autoridades bolivianas.
A ponte está sendo construída a um custo de R$ 6 milhões, através de convênio entre o Governo do Estado e a Superintendência da Zona Franca de Manaus, órgão do Ministério do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior. A tecnologia empregada é a mais moderna, algo muito próximo de uma miniatura da ponte Golden Gate, em São Francisco, na Califórnia (EUA). “Isso aqui será sobretudo um monumento, uma obra muito bonita que, com certeza vai servir melhorar o comércio e o turismo”, disse Jorge Viana.
A ligação física entre as duas cidades, um sonho antigo dos povos que vivem na área de fronteira, se tornou realidade, quando, a quase 40 metros de altura do nível das águas do rio Acre, os operários uniram os últimos blocos de ferro e concreto através da ponte que está em execução há seis meses, pondo fim a mais de cem anos de espera. A ligação significa que a etapa mais difícil da obra foi vencida e a partir de agora a inauguração definitiva, prevista para final de julho ou começo de agosto, está bem mais perto.
Ao lado do governador de Pando – um departamento equivalente a Estado, cuja capital é Cobija, Carlos Camacho, o governador Jorge Viana fez questão de acompanhar, com assessores e operários que trabalham na obra, o momento em que a etapa mais difícil da obra foi concluída. “Nós, bolivianos, só temos é que agradecer o governo brasileiro, em especial ao governo do Acre, por essa obra que, mesmo não tendo investimentos do Governo boliviano, muito facilitará a vida do nosso povo”, acrescentou Carlos Camacho.
A ponte de Brasiléia é um projeto de engenharia ousado, afirma o secretário de infra-estrutura do Governo do Estado, engenheiro Sérgio Nakamura. A consultoria técnica é feita pela mesma empresa que construiu em Brasília uma nova ponte sobre o Lago Paranoá e que entrou para a história da engenharia como uma das mais belas obras do mundo. A modernidade tecnológica ficará por conta do fato de que a ponte de Brasiléia não tem pilastras fincadas no meio do rio e é sustentada por uma coluna de 38 metros, que mantém a estrutura presa por cabos de aço. “Só há cinco pontes dessas no país. O Acre terá a sexta. é um projeto moderno e ousado como moderno e ousados nós queremos ser”, definiu Nakamura.
A ponte tem espaço para apenas um veículo e não permitirá ultrapassagem de veículos ou carros e caminhões pesados.
“É uma ponta para veículos de passeio e pedestre. Os carros pesados vão utilizar a ponte que liga Epitaciolândia a Cobija, através do igarapé Bahia”, disse Jorge Viana.
A nova tecnologia busca a construção de uma ponte que sirva também como atração turística. De acordo com o governador, o governo também pensou nessa estratégia porque a intenção é transformar fronteira numa forte e atraente área de turismo. “Nós pensamos na revitalização do comércio, do turismo e, principalmente, na integração dos povos. Essa ponte vem completar um projeto global que temos para região do Alto Acre, que é a integração por estradas e pontes. Não fizemos pontes onde não havia estradas ou estradas onde não havia pontes. Nossa preocupação é global”, disse o governador Jorge Viana.

Fim das exigências burocráticas
A abolição da exigência de passaporte e outras medidas burocráticas na região da fronteiras com o Brasil e a Bolívia, a exemplo do que já ocorre em território peruano, começa a ser discutida no Senado Federal. Nos próximos dias, a Comissões de Constituição e Justiça e de Relações Exteriores do Senado devem votar mensagem de autoria do Executivo estabelecendo que, nas áreas de fronteiras com a Bolívia, bolivianos e brasileiros possam circular sem as exigências que impedem maiores relações comerciais e culturais na fronteira.
As informações sobre a tomada de posição brasileira em relação à criação de facilidades na fronteira foram dadas ontem, em Brasiléia, pelo senador Tião Viana (PT-AC), que também participou da inspeção às obras da ponte sobre o rio Acre.
“Do ponto de vista físico, estamos fazendo uma obra que vai marcar época na região. Para que essa obra seja completa, nada mais justo que possamos criar os mecanismos que facilitem ainda mais as relações entre esses dois povos”, disse o senador.
“Esse tipo de atitude já foi tomado pelo governo do Peru, cujo Congresso aprovou medidas que nos permitem a nós, brasileiros, a andarmos pelo país apenas com o uso da identidade. é o que pretendemos fazer aqui, com a Bolívia”, acrescentou.
O governador Carlos Camacho, um dos entusiastas da idéia, acha que é possível concretizar esse sonho no ato de inauguração da ponte de Brasiléia.
“Acho que poderemos reunir os presidentes da Bolívia e do Brasil e, naquele ato, aprovarmos documentos que permitam a concretização desse sonho”, disse Camacho.
“Eu sou um exemplo de que não pode haver tantas barreiras na fronteira. Sou governador aqui, mas tenho filhos no Brasil. Aliás, na região, somos todos parentes”, definiu.

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