País vizinho estuda utilizar o Porto de São Francisco para escoar a produção este ano

Seis caminhões de uma mesma empresa foram retidos ontem na entrada do silo público do porto de Paranaguá, depois que a Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) detectou traços de soja transgênica na carga. Outros quatro caminhões da mesma empresa estavam retidos, até o início da noite, no pátio de triagem do porto, aguardando a realização de testes. Somados, os 10 caminhões carregam cerca de 330 toneladas. Segundo a Claspar, a soja veio do Paraguai. Esta é a primeira vez, desde o início da safra, que a empresa retém uma carga em Paranaguá pelo fato de ser transgênica.

A carga chegou a Paranaguá com laudos negativos para transgenia e notas fiscais indicando que o carregamento foi feito na cidade de Guaíra. Um dos caminhões foi incluído na amostra dos fiscais da Claspar, para verificação da veracidade dos laudos. Segundo o gerente da Claspar em Paranaguá, César Elias Simão, o teste realizado numa amostra da soja indicou a presença de grãos geneticamente modificados. Em função disso, todos os caminhões da empresa foram impedidos de descarregar no silo. Os fiscais também constataram, de acordo com o gerente, que a soja na verdade veio do Paraguai.

Simão não quis informar quem é o dono do carga nem qual foi o órgão que emitiu o laudo de não-transgenia. Segundo ele, informações mais detalhadas serão divulgadas hoje, pelo superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião.

Em Francisco Beltrão, a Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) identificou ontem mais duas plantações de soja transgênica. Com isso, sobe para 18 o número de lavouras com sementes geneticamente modificadas identificadas no Paraná desde o início do plantio da atual safra.

O Paraguai analisa a possibilidade de usar o Porto de São Francisco do Sul (SC) para escoar a produção de soja transgênica deste ano, impedida de passar pelo Porto de Paranaguá. Esta semana, uma comitiva formada por governantes e empresários do país deve visitar as instalações do porto para verificar a possibilidade de começar a exportar o grão pela nova rota.

O presidente da Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosos (Capeco), César Jure, diz que há possibilidades de o país exportar 300 mil toneladas do grão por São Francisco. A quantia supera em mais de 100% o volume exportado no ano passado pelo Porto de Paranaguá.

Segundo a Capeco, das cerca de 4,5 milhões de tonelada de soja produzida no ano passado no Paraguai, o país exportou aproximadamente 3,1 milhões toneladas, das quais 115 mil passaram por Paranaguá.

Custo

O presidente da Capeco diz que os produtores e exportadores não querem bancar o custo para separar a soja transgênica da convencional, por isso preferem exportar direto para outro porto, deixando de passar por Paranaguá. “O custo adicional de transporte não é muito significativo”, salienta.

Segundo os exportadores, o plantio da soja transgênica não está proibido no Paraguai. Eles aguardam para este ano uma medida do governo oficializando a liberação. Este ano, o Paraguai deve colher cerca de 4 milhões de toneladas de soja.

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