Fiscais da Prefeitura de Rio Branco estiveram ontem notificando mais de 150 famílias assentadas numa invasão do bairro Santa Helena, na Estrada AC-01, a se retiraram num prazo de 24 horas do local. Os posseiros, no entanto, afirmaram estar dispostos a resistir.

A maior revolta foi quanto à forma dos agentes municipais procederem durante a abordagem. De posse do termo de embargo, eles afirmavam tratar-se de um cadastramento para que novas terras fossem adquiridas, obrigando aos invasores assinarem o documento.

Como a maioria é analfabeta, muitos não sabiam que estavam concordando com o termo que, na verdade se comprometiam a demolir seus barracos em 24 horas.

O clima chegou a ficar tenso entre a moradora de uma casa de um terreno ao lado da invasão e um posseiro. Antônio Frota chegou a ameaçar de morte Lucilene Silva de Oliveira, caso ela não permitisse que seu irmão montasse um barraco próximo a sua residência. “Você pode amanhecer com a boca cheia de formiga, por isso”, disse Frota. Uma equipe da Polícia Militar encaminhou os dois até a delegacia mais próxima.

Maria Iraneide Lima do Nascimento, mãe de três filhos, um deles ostomizado – urina e defeca por meio de uma bolsa – afirma não ter para onde ir, caso seja despejada. “Posso provar que não tenho moradia certa e se sair daqui, não sei o que será do meu filho”, disse.

O líder do movimento, Clodoaldo Domingos dos Santos, condenou a ação dos fiscais, afirmando que a ação é contrária a garantia do prefeito Isnard Leite, que teria afirmado dias atrás que a Prefeitura encontraria uma saída pacífica para o problema.

“Eles (os fiscais) estão aqui porque a área onde iriam construir sua sede campestre também foi invadida, mas estamos dispostos a ficar, mesmo a contra-gosto do Município, porque o próprio prefeito afirmou que não precisava de violência”, disse dos Santos. O terreno é ligado a área invadida.

Hoje pela manhã, uma comissão de posseiros vai tentar ser ouvida por Isnard Leite. “Vamos mostrar nossa insatisfação e pedir para que algo seja feito em favor destas famílias carentes”, completou. O chefe dos fiscais, César Augusto da Silva, não foi localizado para rebater as acusações dos invasores.

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