As obras que pretendem melhorar as condições de tráfego na Índio Tibiriçá não contemplam os pedestres. O pré-projeto técnico não prevê, por enquanto, a construção de passarelas, uma das principais reivindicações dos moradores de bairros do entorno. Todos os dias, centenas de pessoas caminham pelos acostamentos das duas pistas e enfrentam dificuldades para atravessar a via.

A pedagoga Edileuza dos Santos contou que já chegou a esperar mais de dez minutos para conseguir cruzar a rodovia. “Os carros vêm muito rápido. Ninguém respeita os limites de velocidade. Há sete anos, desde que minha filha mais velha começou a estudar, eu tenho que atravessar todos os dias, porque o ônibus pára do outro lado. É muito perigoso.”

O morador do bairro Clube de Campo João Francisco Lima Neto disse que à noite a situação é ainda mais crítica, pela falta de iluminação. “Quando tem neblina, não se enxerga quase nada. Minha esposa, eu e meu filho escapamos por pouco de um atropelamento.”

Os irmãos Anderson, 13 anos, e Vinícius Lima Pereira, 8, caminhavam sozinhos pelo acostamento para chegar à escola, distante cerca de dois quilômetros do local em que foram abordados pela reportagem do Diário. “Sabemos que é perigoso, mas é melhor vir pelo asfalto. O caminho que corta ‘por dentro‘ fica cheio de barro quando chove”, afirmou Anderson.

Do outro lado da pista, duas mulheres e um homem empurrando um carinho de bebê também percorriam o acostamento. Os carros e caminhões passavam em alta velocidade, a uma distância de dois metros dos transeuntes.

Jussara Guarnieri, grávida de sete meses, acha que, se o número de radares e de postos rodoviários ao longo da Índio Tibiriçá fosse maior, os motoristas seriam mais cautelosos. “Tenho medo. Mas é o único jeito pra quem anda a pé.”

Acordo prevê obras em 2005

A construção de nove rotatórias de acesso e a implementação de oito quilômetros de faixas adicionais no trecho da rodovia Índio Tibiriçá que passa pelo Grande ABC fazem parte do acordo assinado em fevereiro entre o Consórcio Intermunicipal e o governo do Estado. O início das obras está previsto somente para 2005.

Um pré-projeto já foi aprovado e as intervenções foram orçadas em R$ 32 milhões, valor que será custeado com verba do Estado.

Os trechos de aproximadamente mil metros que ganharão uma faixa adicional (para facilitar a ultrapassagem), no sentido São Bernardo-Ribeirão Pires, são os que têm início nos quilômetros 33,8; 44,7; 49,3 e 50,2. No sentido inverso, as terceiras faixas serão implementadas nos quilômetros 45,5; 47; 48,3 e 50.

As rotatórias, que devem facilitar e tornar mais seguro o acesso aos bairros vizinhos à rodovia, serão construídas na altura dos quilômetros 38; 40; 44; 49; 51; 52 e 54, além de duas no quilômetro 46.

A reportagem do Diário percorreu a rodovia Índio Tibiriçá e constatou o desgaste do asfalto em vários trechos, além de buracos, principalmente nos acostamentos da região de Ribeirão Pires.

De acordo com Renato Maués, coordenador do Grupo de Trabalho de Tráfego e Logística do Consórcio, obras como recapeamento de vias fazem parte do orçamento do DER e não estão previstas no pacote de melhorias acordado com o Estado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui