O prazo venceu no último dia 21 e a anunciada reforma das passarelas e viadutos de Salvador – feita pela prefeitura, em 20 de maio deste ano – foi mais uma vez adiada, agora para o próximo dia 15 de julho. Das 22 passarelas implantadas na cidade, 20 apresentam problemas, mas apenas cinco (Vasco da Gama, Bonocô, Centenário, Hiper da Avenida Antonio Carlos Magalhães e Detran) vão ser restauradas.

No último dia 20 de maio, após avaliações feitas pelo Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) em uma pesquisa de amostragem em viadutos e passarelas de Salvador, a prefeitura anunciou que em 30 dias realizaria licitação para reforma de 20 passarelas de pedestres que estão em situação crítica. O mesmo procedimento seria adotado para os viadutos.

LOTES – Quando expirou o prazo, o superintendente da Sumac (Superintendência de Manutenção da Capital), Luciano Valladares, explicou que as obras deverão ser divididas em pelo menos três lotes, e que o primeiro deles, programado para começar a ser executado depois do dia 15, deverá ser concluído em, no mínimo, 120 dias.

O superintendente da Sumac explicou que a reforma consiste em contratos de conservação e manutenção e que o segundo lote de reformas só deverá sair nos próximos seis meses, quando deverão ser incluídas as passarelas do Iguatemi e duas na BR-324 (Calabetão e Brasilgás). A do Iguatemi, que tem a maior movimentação de pedestres na cidade, foi revisada há três anos, mas já apresenta desgastes, por causa do uso inadequado pelos ambulantes, que estacionam seus equipamentos nos acessos.

Em uma das passarelas, na Avenida Antonio Carlos Magalhães, próximo ao antigo Colégio Teresa de Lisieux, os pisos estão parcialmente destruídos e não há iluminação no vão central. “Já me feri porque tropecei em uma ponta de ferro do piso que está à mostra”, queixou-se a comerciária Ilzenete Oliveira Lima, de 32 anos, apontando uma das reentrâncias do piso logo nos primeiros metros de acesso à passarela, que está destruído.

Numa outra passarela, no início da Avenida Bonocô, o marceneiro Sílvio Luís Figueiredo, 37 anos, relata que, por pouco, não sofreu um acidente mais grave. “Quase caí do alto, sobre a avenida, porque tropecei em uma saliência do piso”, contou.

RODOVIA – Na BR-324 existem três passarelas para pedestres – na altura de Valéria, na Brasilgás e no Calabetão. A entrada do Bom Juá e Águas Claras são dois dos locais que já poderiam ter esses equipamentos. O primeiro trecho porque liga os bairros do Bom Juá e Arraial do Retiro, e o segundo, por ligar Águas Claras e Cajazeiras à estrada Paripe/Base Naval, que dá acesso para o subúrbio ferroviário de Salvador.

Já na Avenida Paralela, além das passarelas de Mussurunga, Centro Administrativo, Extra, Imbuí e Sarah, faz-se necessário uma outra no Bairro da Paz, Faculdade FTC e entre a Avenida Pinto de Aguiar e a entrada para o bairro de Pau da Lima.

Segundo explicou o professor Elmo Felzemburgo, da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), especialista em trânsito, nessas áreas o adensamento populacional requer mais equipamentos, “porque são pistas de alta velocidade, com um número considerável de linhas de ônibus”.

Felzemburgo explicou que avenidas como a Suburbana e a orla marítima não precisam de passarelas, mas, sim, de semáforos sincronizados, porque têm menos velocidade de tráfego e não são vias expressas. Em sua opinião, as passarelas só devem ser instaladas nas vias principais, onde o fluxo de carros precisa fluir com mais rapidez.

NOVOS PROJETOS – O próprio superintendente da Sumac admite que em todas as passarelas, à exceção das implantadas nos últimos meses, existem problemas de manutenção. Com isso, ficam de fora apenas as passarelas das avenidas Tancredo Neves e Paralela (defronte à Faculdades Jorge Amado). Nas demais, os problemas vão desde pisos esburacados à falta de iluminação.

Até o final de julho, a prefeitura programa entregar duas novas passarelas à população: a da Avenida Antonio Carlos Magalhães, defronte à entrada do Itaigara, feita em parceria com a Petrobras, e da Avenida Tancredo Neves, defronte ao Desenbahia, feita em parceria com a construtora Norberto Odebrecht.

O diretor da Desal, empresa municipal que fabrica e instala passarelas em Salvador, Euvaldo Jorge, diz que, na Avenida Paralela, a parceria feita com a Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC) vai ser concluída até o final do ano, com a instalação de uma nova passarela, que vai custar R$ 2,5 milhões.