Período chuvoso deixa pistas extremamente escorregadias. Problema se torna mais grave nos trechos de serra.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) faz um alerta para quem circula nas estradas do Centro-Oeste do país. Depois do longo período de estiagem, o asfalto fica coberto por uma traiçoeira camada de óleo. O início do período chuvoso é um sinal de perigo para os motoristas. Quem está nas rodovias sabe: asfalto que fica muito tempo seco, quando molha vira um sabão.

“Você está numa pista muito escorregadia. Nesse momento, não lava a pista. Nesse caso, tem que ver a aderência do asfalto”, disse o caminhoneiro Antônio Ademir Silva.

Estrada molhada deixa a Polícia Rodoviária Federal atenta. O óleo acumulado na pista durante o período de estiagem se espalha com a chuva. A mistura de água e combustível pode tirar a estabilidade não só de veículos grandes, mas também de carros de passeio, que derrapam com mais facilidade, provocando acidentes.

O perigo aumenta quando os motoristas têm pela frente uma situação como esta: descida, velocidade maior e uma curva. A pista, quando escorregadia, é ainda mais traiçoeira. Seria praticamente impossível, segurar um caminhão desgovernado no volante.

“A gente alerta, principalmente, nos trechos de serras, para que as pessoas possam ter uma condução muito mais segura e muito mais prudente e com paciência”, disse o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Alessandro Dorileo.

O que acontece nas estradas foi simulado no laboratório de física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Um aparelho, o trilho de ar, representa uma pista. Na primeira simulação, o objeto sobre a placa de metal pára logo depois do empurrão. É o que acontece com um carro numa estrada seca.

A segunda experiência coloca ar entre o objeto e o trilho. Com menos atrito, a parada é bem mais difícil. “A água faz é um dos fatores que faz com que perca muito o atrito, ainda mais se alguém tiver com um pneu careca. Se for uma pista plana, o veículo não faz curva, não freia. Ele vai reto”, afirmou o físico Denilton Carlos Gaio.

Há menos de uma semana, um acidente entre uma carreta e um microônibus matou 12 pessoas na BR-364, a 120 quilômetros de Cuiabá. Chovia na hora do acidente. O caminhão que invadiu a pista contrária pode ter perdido o controle, por causa da falta de aderência entre os pneus e o asfalto molhado e sujo de óleo.

Direção defensiva e manutenção correta de pneus e freios podem evitar que uma viagem se transforme numa tragédia. “Para evitar o pior, você tem que maneirar bastante a velocidade e tem que ter calma nesta hora. Se você for esquentar, pode prejudicar a sua própria vida”, disse o caminhoneiro João Rodrigues.