“Perdemos o direito de ir e vir”

Na Região Sudoeste do Estado, as péssimas condições das rodovias deixam indignados produtores e transportadores. “Pagamos em dia nossos impostos e nos tiram o direito de ir e vir”, reclama Jânio dos Santos Lara, presidente da Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Jataí (Cotaja). Conforme diz, cerca de 15% da frota de 200 caminhões operados pela cooperativa permanecem constantemente no conserto. São rodas, pneus, barras de direção e várias peças danificadas pelo entra e sai dos buracos.

Segundo conta, na semana passada um dos motoristas da cooperativa tombou o caminhão, carregado com 14 toneladas de soja, numa das “panelas” da BR-364, entre Jataí e Mineiros. O condutor tentou desviar de um buraco na pista, não conseguiu, teve a roda do veículo quebrado e o tombou.

Para Jânio Lara, a situação hoje é mais crítica na BR-060, entre Jataí e Rio Verde. “Os motoristas gastam de 3 a 4 horas para percorrer o trajeto de 100 quilômetros, mais que o dobro do tempo que seria necessário”, afirma o presidente da cooperativa. Em razão disso, segundo ele, o aumento do valor do frete já é da ordem de 40%. “Embora o preço suba mesmo na época da safra, esse aumento não passaria de 10% não fosse a situação das rodovias.”

O encarregado do setor de transportes da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), em Rio Verde, Neder Reginaldo de Carvalho, ressalta que o preço do frete já subiu, no começo da safra, em média 25%. “No final das contas, quem vai pagar esse prejuízo é o consumidor, porque esse aumento reflete no preço final do produto”, argumenta. Neder também cita a BR-060 e a BR-364 como as grandes vilãs para o escoamento da produção.

Presidente do Sindicato Rural de Mineiros, Júlio César Vilela lamenta que cerca de 25 quilômetros da BR-364, próximo ao Porto Ferroviário do Alto Araguaia estejam praticamente intransitáveis.

“Aquilo lá acabou”, comenta. Segundo diz, de Mineiros ao Porto, uma distância de 90 quilômetros, alguns motoristas têm gastado até 4 horas de viagem. De acordo com ele, a safra de 250 mil toneladas de grãos no município fica bastante prejudicada. E o problema, segundo ele, não afeta apenas as rodovias federais.

Nessa época do ano, afirma, as chuvas deixam as rodovias estaduais nãopavimentadas cheias de atoleiros. “Um grande frigorífico da cidade, que tem capacidade para abater 800 cabeças de gado por dia, chegou a abater 200 porque as transportadoras não conseguiram entregar o restante do rebanho”, denuncia. Segundo ele, trechos da GO-194, não-pavimentada, entre Portelândia e Doverlândia, estão praticamente intransitáveis. Com isso, parte dos grãos não consegue chegar ao destino no prazo necessário, além de majorar o valor do frete. “Aqui na região, o aumento em relação ao preço cobrado no ano passado já chega a 70%.”

A Pesquisa Rodoviária 2003, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), aponta a BR-158, entre Jataí e Piranhas, no Sudoeste Goiano, como a oitava pior rodovia do País. O levantamento é feito anualmente pela CNT e representa um dos mais expressivos diagnósticos das condições das estradas federais, estaduais e municipais no Brasil.

No trecho pesquisado da BR-158 em Goiás, com extensão de 188 quilômetros, cerca de 50 quilômetros de pavimentos são considerados como péssimos. Outra rodovia em Goiás que não apresentou boa classificação pela avaliação da CNT foi a GO-174, entre Rio Verde e Iporá, uma extensão de 166 quilômetros. Cerca de 15% do trecho da rodovia é classificado como péssima e cerca de 70% como em estado ruim de conservação. Quase a totalidade do pavimento no trecho, de cerca de 150 quilômetros foi considerado deficiente.

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