A Citroen admitiu, através de sua assessoria de imprensa, que desde o dia 28 de julho de 2003 está convocando proprietários do modelo Picasso para fazer modificação na instalação elétrica do sistema de ar condicionado.
Segundo a multinacional trata-se de campanha de serviço que não envolve item de segurança e portanto não pode ser definido comO “recall”. Entretanto, a palavra, de origem inglesa, quer dizer: chamar de volta. O que a empresa efetivamente está fazendo.
Apesar de negar o recall, a montadora informa que a operação é “indispensável” e pede aos proprietários que agendem o serviço o “mais breve possível”. Na carta aos proprietários, a Citroen pede que caso o destinatário não seja mais proprietário do veículo que informe a empresa, para que ela possa comunicar ao novo proprietário.
Segundo ainda a assessoria de imprensa da empresa francesa “os
veículos envolvidos nesta campanha correm o risco de sofrer uma
pane no funcionamento do sistema de climatização, provocada por um consumo elétrico suplementar do grupo de climatização, localizado entre os bancos dianteiros. Eventualmente, pode ainda bloquear o movimento da chave no contato de ignição e, conseqüentemente, impedir a ignição do motor.”
Questionada sobre como a empresa pretende informar os proprietários que não receberam a carta a Citroen não respondeu. Também não esclareceu como pretende ressarcir proprietários que residem em cidades distantes de concessionárias e que terão despesas imprevistas com a viagem para atender a convocação, sem contar eventual perda do dia de trabalho e outros prejuízos.

ÓRGÃOS DE DEFESA DO CONSUMIDOR DESCONHECEM A CONVOCAÇÃO

O DPDC(Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) reconheceu que não sabia da convocação da Citroen e vai investigar. O Coordenador Jurídico do Procon-RJ, Jorge Tardin, informou de que há sérios indícios de que a empresa estaria dissimulando um recall. “Vamos investigar”, afirmou Tardin.
O DPDC admitiu que poderá recorrer a especialistas para identificar se o defeito que gerou a convocação coloca em risco a segurança do proprietário e de terceiros. O órgão esclareceu, através da sua assessoria de imprensa que,” o DPDC tem estrutura jurídica, mas não dispõe de corpo técnico especializado, como engenheiros mecânicos, para apurar tecnicamente fatos. Em casos tais, é solicitado o apoio de outros órgãos de notória especialização técnico-científica, como, por exemplo, o INMETRO ou os departamentos de engenharia das universidades federais. Além disso, foi inserida ação no Plano Plurianual do Ministério da Justiça que se inicia em 2004 prevendo uma verba específica para a contratação de laudos e pesquisas técnicas, que viabilizarão maior agilidade nas ações repressivas e preventivas de fiscalização que necessitarem de análises técnicas.”
A mesma fonte admitiu que há três averiguações preliminares em curso no DPDC em que alegações técnicas das empresas são consideradas inverossímeis e estão sendo avaliadas por órgão técnico.
Sérgio Giannella, Diretor de Fiscalização do Procon-SP admitiu que o órgão tambémn desconhecia a convocação da Citroen. “Vamos averiguar se é uma questão de qualidade ou segurança”..
O Promotor de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Terra, também admitiu que há indícios de que a convocação possa envolver item de segurança e que o assunto deve ser investigado.
O assessor jurídico do Procon-MG esclareceu que o órgão desconhecia a convocação da Citroen e que iria solicitar esclarecimentos a empresa. Sendo necessário, o Procon-MG recorre a instituição universitária para fazer um laudo técnico.
No Rio Grande do Sul o Coordenador do Procon-RS, Alexandre Appel, reconheceu que o órgão precisa de orientação técnica para confirmar se a alegação da montadora é procedente de que não se trata de item de segurança.
Na prática os Procons e o próprio DPDC estão dependendo do consumidor informar essas convocações, feitas pelas montadoras e importadoras, já que as empresas não informam as autoridades por entender não ser caso de recall.
A Citroen já utilizou o mesmo expediente em abril de 2002, conforme informou o www.estradas.com.br , quando convocava proprietários para efetuar um reparo num parafuso da suspensão.
Em ambas as convocações a empresa não comunicou publicamente, o que impede os proprietários que não recebam carta de tomarem conhecimento do defeito e suas possíveis consequências.
Para o autor do livro “Recall: 4 Milhões de Carros com Defeito de Fábrica – O que as montadoras não contam” , Rodolfo Alberto Rizzotto essa prática é comum e ocorre devido a falta da existência de um órgão específico para investigar defeitos de fabricação de veículos, conforme existe nos EUA.
“No Brasil, dependemos das empresas virem a público informar defeito grave quando acharem que devem fazê-lo. Esse tipo de comunicado utilizado pela Citroen deveria ser divulgado inclusive no website da empresa e ser enviado para os veículos de comunicação. O que chega a ser curioso é a empresa pedir ao ex-proprietário que informe quem pode ser o dono do carro agora, para efetuar um serviço que não envolve item de segurança.”
Rizzotto, que é editor do www.estradas.com.br , acredita que o problema envolve item de segurança pois recebeu informações de que o veículo pode desligar inesperadamente e o proprietário não conseguir religar o carro.
“Não acredito que a Citroen faria esse tipo de convocação para informar que o tecido do banco ppode descosturar ou o porta-luvas abrir inesperadamente”.

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