Uma sindicância da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) vai investigar o resgate, na RS-153, de um preso de alta periculosidade.
Jorge Gilberto Zambam, 45 anos, condenado a 28 anos de prisão por tráfico de drogas e latrocínio, foi resgatado e libertado por seis homens, no final da tarde de terça-feira.
As evidências, segundo o delegado penitenciário Dari dos Santos, são de que toda a ação tenha sido planejada pelo preso. Considerado um detento de alta periculosidade, Zambam cumpria pena em Soledade desde maio de 1995. Estava condenado a oito anos por tráfico de drogas em Soledade e a 20 anos por latrocínio (matar para roubar) em Amambaí (MT).
O preso alegou estar com dor de garganta. Ele consultou um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) em Soledade e alegou não ter melhorado. A família de Zambam marcou, então, uma consulta particular com um especialista de Passo Fundo.
Na tarde de terça-feira, os agentes Adriano de Oliveira e João Carlos Franco Brum seguiram o procedimento considerado de praxe pelo presídio para conduzir o preso até Passo Fundo. Num Fiat Uno Mille, eles viajaram com o preso, algemado. Um dos agentes dirigia o carro, enquanto o outro controlava o preso.
Depois da consulta, em Passo Fundo, quando retornavam a Soledade pela RS-153, às 18h40min, o carro foi interceptado por uma Blazer azul, próximo ao trevo de Tio Hugo. Apontando pistolas e escopetas calibre 12, eles obrigaram os agentes a parar.
Os funcionários foram obrigados a deitar no asfalto, ameaçados de morte. Depois de libertar o preso, os criminosos usaram a algema para prender os agentes um ao outro. Os dois foram empurrados até um matagal às margens da rodovia.
Brum chegou a ser agredido a coronhadas de revólver nas costas e na cabeça. Quando conseguiram retornar à rodovia, os homens haviam fugido, levando suas armas, além de carteiras, celulares e as chaves do carro.
Oliveira e Brum pediram carona para buscar ajuda e alertaram o presídio, a Polícia Rodoviária Federal em Soledade e a Brigada Militar. Eles foram medicados no Hospital Frei Clemente, em Soledade. A Blazer, que era furtada, foi encontrada às 21h30min, abandonada às margens na BR-386, num acesso secundário ao município de Mormaço.
O presidente da Associação dos Monitores, Agentes e Auxiliares Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs), Flávio Berneira, diz que desde 2001 a entidade cobra da Secretaria da Justiça e da Segurança do Estado a renovação da frota.
– Toda a frota é sucateada – afirma Berneiras.
A Amapergs quer a realização de uma perícia para avaliar os carros da Susepe. Os veículos são comuns, sem xadrez (compartimento em que o preso fica isolado). Berneira também questiona a forma como são feitos os deslocamentos. O correto, segundo ele, seria a presença de dois agentes fazendo a escolta, um motorista e mais um carro de apoio.
CONTRAPONTO
O que diz Francesco Conti, corregedor-geral da Susepe:
“Em casos como esse, mesmo se o veículo tivesse xadrez não haveria como evitar a fuga. Cabe ao presídio avaliar a periculosidade do preso que vai ser transportado. Eles podem pedir apoio do núcleo de segurança e vigilância, que vai de Porto Alegre para apoiar o deslocamento. Neste caso, a avaliação foi realizada, e os agentes assumiram o risco. Como esse preso tinha uma condenação recente a mais 20 anos de prisão, e seria transferido para o Mato Grosso para cumprir a pena lá, os agentes deveriam ter previsto a necessidade de reforço na segurança. Abri uma sindicância para apurar se houve negligência.”

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