Segredo para redução dos números é prevenção, garante a PRF

A Polícia Rodoviária Fedeal (PRF) apreendeu na madrugada de ontem um camimhão com carga desviada na Região Metropolitana. O caminhão vinha de São Paulo trazendo R$ 50 mil em produtos variados, como bacalhau e azeitonas, e seria levada para Ponta Grossa. Um batedor que vinha em outro veículo foi preso. Este foi o terceiro caso de recuperação de carga roubada na Grande Curitiba desde o dia 31 de maio, quando oito pessoas já foram presas. Segundo a PRF, os roubos acontecem principalmente nas BRs 116 e 376.

“Essas duas rodovias são as mais visadas porque possuem saídas para praticamente todas as regiões do Estado e para o Sul do País”, conta o inspetor Marcelo Cidade, chefe do Centro de Operações da PRF. Mas apesar disso, Cidade explica que no último semestre a freqüência de assaltos caiu pelo menos 70%. “Nos últimos seis meses temos o registro de oito assaltos a carga na Região. Destas, recuperamos seis”, conta. Antes esses números eram três vezes maiores.

A Grande Curitiba sempre foi visada pelas quadrilhas de roubo de cargas por causa da circulação de veículos entre os estados do Sul e São Paulo, além da ligação com o Paraguai. A polícia não tem idéia de quantas estariam atuando na região, mas dos três casos desbaratados desde o dia 31 de maio, todas eram de quadrilhas diferentes. Mas com um detalhe: apesar de facções diferentes, eles trocariam informações entre si, alerta Cidade.

“Existe dois tipos de assaltos a carga. Um que é feito sob ‘encomenda’. Tem o receptador que quer uma determinada mercadoria — muitas vezes com a participação de funcionários de distribuidoras, que repassam informações privilegiadas. E tem aqueles que vão atrás de cargas aleatórias, aproveitando-se do momento. O que cair é lucro”, aponta o inspetor chefe do COP. Além disso, quase sempre ficam com o caminhão também, para a indústria do desmanche, ou então clonando a placa e revendendo o veículo.

O que o setor de inteligência da PRF sabe é que as quadrilhas que atuam na Grande Curitiba agem de diferentes formas. Algumas com ligação com São Paulo, atravessando o Paraná e Santa Catarina, e outras que têm como base os municípios de São José dos Pinhais, Piraquara e Campina Grande do Sul.

Trabalho — A redução verificada nos semestre tem uma explicação, segundo Cidade. “A partir das informações sobre roubos, fazemos o levantamento dos locais e horários mais visados, e trabalhamos na repressão e prevenção dos roubos. Concentramos o policiamento nos locais de maior ocorrência”, explica.

Último caso — O motorista que atuava como batedor da carga apreendida na madrugada de ontem tem duas ordens de prisão em aberto por assalto, e outros porcessos. Segundo ele, receberia R$ 2 mil para entregar a carga. Um outro motorista também é suspeito de ter facilitado a ação.