A Superintendência de Engenharia de Tráfego de Salvador (SET) instalou 26 novos radares de controle de velocidade no trânsito da capital. Com os equipamentos, as vias passam a ser monitoradas por 64 radares fixos, quatro móveis e 53 fotossensores, além de 560 agentes.

Por enquanto, os aparelhos não estão funcionando, pois ainda estão sendo aferidos, mas já começam a exercer uma função educativa, servindo de orientação aos motoristas, alertando que o cerco aos infratores vai aumentar. Chamados de redutores eletrônicos de velocidade, os equipamentos são bastante visíveis e indicam, através de sinais luminosos, que podem ser enxergados a distância, a velocidade permitida nas avenidas.

A novidade é que, ao contrário dos antigos, que estão instalados em vias de trânsito intenso e de média e alta velocidades, como as avenidas de vale, os novos radares foram instalados em áreas antes não visadas pela SET, em regiões da periferia.

Assim é que, além da Paralela, Suburbana e Bonocô, os novos radares foram colocados em Castelo Branco, Sussuarana, São Marcos e Cajazeiras, locais onde a velocidade do trânsito é menor, mas de intenso movimento de veículos, e, principalmente, de transeuntes – portanto com sérios riscos de atropelo.

Bairros – A SET, por meio da sua assessoria de comunicação social, informou que ainda não tem uma previsão de quando os aparelhos serão ativados, mas já instalou em todos eles placas indicando aos motoristas os novos limites de velocidade.

Em alguns locais, como na rua Genaro de Carvalho, em Castelo Branco, os motoristas têm que obedecer ao limite de 50 km por hora, em um dos equipamentos, e 500 metros adiante, o limite de velocidade de 40 km, em um outro. É a primeira vez que o bairro ganha aparelhos para a fiscalização do trânsito. “É bom, pois nessa ladeira aconteciam muitos acidentes”, disse o motorista de ônibus Geraldo Lima de Jesus, 38 anos.

Já na Avenida Suburbana, onde, além dos sete radares já existentes, foram acrescentados outros quatro, os moradores aplaudiram a medida. “É uma ação muito boa para inibir os vândalos no trânsito, principalmente aqui perto do hospital”, disse a dona-de-casa Maria Auxiliadora dos Santos, 41 anos, que estava com a filha tentando atravessar a pista em frente ao Hospital João Batista Caribé.

Caráter educativo – O professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, especialista em planejamento de trânsito, Elmo Felzemburgo disse que a instalação dos novos radares é uma medida salutar, uma vez que, antes do caráter punitivo, eles têm uma função educativa no trânsito, estabelecendo para os condutores de veículos os limites de velocidade que são permitidos em cada via.

Felzemburgo explica que, além de educar, a aparelhagem permite mais fluidez no trânsito, “pois os motoristas ficam sabendo, com bastante antecedência, graças à sinalização, qual o limite de velocidade em que deve trafegar”, disse.

O professor da Ufba faz uma ressalva, contudo, ao se referir à Avenida Suburbana, que passa a contar, agora, com 13 radares – um por cada quilômetro. “Ali pode funcionar o semáforo sincronizado, pois trata-se de uma via adensada de moradias. Como a tendência é se trafegar no limite de velocidade, os semáforos se tornam mais seguros nesses locais”, diz.

Como funcionam – Os novos radares, conhecidos também como lombadas eletrônicas, são equipamentos que funcionam no sistema de limite de velocidade de acordo com o fluxo de tráfego.

Assim é que na Avenida Paralela, onde a passagem máxima é de 80 km por hora, a medição pode variar de acordo com o fluxo de veículos. A cada variação, o motorista vai sendo avisado por sinais luminosos instalados em torres transversais junto do aparelho de monitoramento da velocidade, pois os equipamentos vêm com softwares de captação e processamento de imagens e dados.

Seu funcionamento é automático e independe da presença de agentes de fiscalização de trânsito. Quando o veículo passa pelos sensores instalados na pista, a lombada eletrônica calcula sua velocidade e a indica no visor. Assim é que toda vez que o limite estabelecido é excedido, o aparelho registra a imagem do veículo, que pode ser usada mais tarde como prova da infração.