Apesar dos dados da Secretaria de Segurança Pública mostrarem que o número de furtos e roubos de veículos permanece estável, em média 266 carros ainda são levados por ladrões a cada dia na cidade. E para o Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg), que possui apenas informações sobre os veículos segurados, a tendência desse tipo de delito é de crescimento.

“Desde de janeiro, notamos um aumento de cerca de 15% nas ocorrências de furto e roubo de veículos”, afirma Marcelo Blay, diretor do Sindseg e vice-presidente da Itaú Seguros. Segundo ele, a região do ABC concentra a maioria das ocorrências. “Em Santo André, por exemplo, a incidência de furtos e roubos de veículos chega a 6% da frota segurada”, diz.

Na capital, segundo o diretor, a Zona Leste ocupa a primeira posição no ranking. As estatísticas do Serviço de Informações Criminais (Infocrim), da Secretaria da Segurança Pública, confirmam a tendência. Pelo mapa da violência – obtido com exclusividade pelo JT – a Avenida Sapopemba é a campeã em roubo de veículos, com 34 casos registrados em junho.

Entre os cinco locais mais perigosos nesse quesito, estão cinco avenidas da Zona Leste – a Ragueb Chohfi, Professor Luiz Inácio de Anhaia Mello, Marechal Tito, Aricanduva, além da Sapopemba.

A “número um” em furtos de carros também está na região. Na Rua Santa Marcelina, na Vila Carmozina, foram registradas 17 ocorrências em 30 dias. A Zona Norte também figura nas estatísticas policiais. A Rua Guaranésia, na Vila Maria, aparece entre as dez primeiras no ranking.

Os carros populares são os principais alvos dos bandidos. De acordo com o delegado Manoel Camassa, da Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar), os veículos “são fragilizados de fábrica”.

“A maioria também não tem sistemas de segurança sofisticados”, explica. Na maioria das vezes, diz o delegado, os carros furtados ou roubados vão para desmanches – para abastecer o comércio clandestino de peças – ou voltam às ruas como dublês, veículos irregulares com placas iguais aos de outro em circulação.

Os locais mais visados, segundo o diretor do Sindseg, são os próximos às universidades, hospitais e estádios de futebol. “O bandido sabe que ali o veículo vai ficar por várias horas”, diz. De acordo com as seguradoras, 55% dos roubos ocorrem entre 18h e meia-noite. No caso dos furtos, cerca de 80% deles acontecem entre 10h e meia-noite, com pico entre 20h e 22h.

Blay também tem uma explicação para baixo número de furto e roubo de veículos no Centro. Segundo ele, há poucas rotas de fuga na região. “Os ladrões preferem locais com menos risco. Na Zona Leste, por exemplo, é muito fácil acessar uma rodovia.”

O Infocrim foi lançado oficialmente pela Secretaria da Segurança Pública em setembro de 2000. O sistema, que marcou a fase digital da polícia, continua restrito aos policiais civis e militares. O cidadão que quiser saber, por exemplo, qual a avenida com maior incidência de roubos não terá acesso à informação. De acordo com a Secretaria da Segurança, o sistema é de uso exclusivo da polícia, pois foi criado para ajudar na investigação e prevenção dos crimes.

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